Com reclamações em alta, ANS e planos de saúde culpam “ansiedade” de consumidores

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As reclamações contra planos de saúde tiveram aumento de 275% nos últimos anos, e, em audiência na Câmara dos Deputados nesta semana, representantes da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e da Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde) atribuíram a alta a falhas de comunicação entre operadoras e consumidores e até à ansiedade dos beneficiários diante dos prazos de autorização.

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Após relatar dificuldades para fiscalizar o setor por falta de pessoal e tecnologias defasadas, o diretor-adjunto da Diretoria de Fiscalização da ANS, Marcus Teixeira, informou que o número de Notificações de Intermediação Preliminar (NIPs) – referentes a conflitos entre beneficiários e planos – passou de 100 mil, em 2018, para 375 mil no ano passado.

“O que a gente viu muito nas NIPs, quando a gente estudou, é que existia um grande problema de comunicação entre o consumidor e as operadoras. A comunicação não era clara e suficiente”, afirmou Teixeira. A fala ocorreu logo após a Aliança Nacional em Defesa da Ética na Saúde Suplementar (Andess) apresentar relatos de pacientes que tiveram tratamentos negados, num modelo de “automatização de negativas” por parte das operadoras.

A Fenasaúde, por sua vez, destacou que parte da pressão contra os planos vem da própria expectativa dos beneficiários. “O beneficiário tem 21 dias úteis para realizar a cirurgia, isso equivale a quase um mês corrido. Mas, com cinco dias que ele dá entrada no pedido, ele já começa a ficar ansioso. Com uma semana, duas semanas, quer saber: ‘E aí? Foi autorizado? Como está o processo? Em que estágio está esse pedido?’”, disse o Superintendente de Regulação da entidade, César Cardim.

A audiência foi realizada na Comissão de Defesa do Consumidor e discutiu “Práticas abusivas na saúde suplementar e nos planos de saúde”.