A troca de farpas no clã Bolsonaro beneficia a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. A estratégia da extrema direita passa por criar polêmicas para gerar engajamento nas redes sociais.
O confronto familiar reúne todos os ingredientes: disputa, insinuações, tensão. É a fórmula que impulsiona as redes — que o digam Felipe Neto e Virgínia Fonseca. Primeiro, provoca-se o ruído; depois, recua-se para criar outro. Assim, mantém-se o fluxo contínuo de atenção, comentários e cliques. É um ciclo de retroalimentação.
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Dentro da direita, o apoio explícito a Michelle subiu de 44,7% para 49,5% nas redes sociais, segundo um levantamento da AP Exata para a coluna.
Essa lógica guiou os quatro anos de Jair Bolsonaro no Planalto. Declarações controversas, quase diárias, tinham o efeito de colocá-lo no centro da conversa pública, inclusive entre críticos — o suficiente para que sua mensagem escapasse da bolha e alcançasse novos públicos. Está todo mundo falando da “Michelle política” há uma semana.



Michelle, Eduardo, Flávio e Carlos Bolsonaro
Arte Metrópoles
Michelle Bolsonaro visita Bolsonaro pela 2ª vez na superintendência da Polícia Federal
Luis Nova/Especial Metrópoles @LuisGustavoNova
Michelle Bolsonaro, Bia Kicis e Flávio Bolsonaro no evento de lançamento da pré-candidatura de Bia Kicis ao Senado
Reprodução/Instagram
O lado garoto e garota propaganda de Michelle e Bolsonaro já tem sido explorado pelo casal desde 2023, logo após deixarem o Palácio do Planalto

Michelle Bolsonaro se declarando para Bolsonaro
Hugo Barreto/Metrópoles
A fala que gerou a controversa teria permanecido restrita à política cearense (ela se opôs à aliança com Ciro Gomes, crítico contumaz do seu marido) se o senador Flávio Bolsonaro não tivesse dito que ela foi “deselegante”.
Ninguém duvida que a rusga é real, mas é importante perceber o movimento: O enteado preferido ajudou Michelle a ampliar ainda mais sua projeção e a disseminar o discurso de que é “esposa, mãe” e irá defender “com unhas e dentes, como uma leoa” seu marido e sua família. Um discurso que soa como música para evangélicos, católicos e conservadores – maioria do eleitorado brasileiro.
O trecho central da nota da ex-primeira dama, contudo, quando ela diz que é uma “líder política”.
Ao se definir como “líder política”, Michelle avança uma casa na disputa presidencial. Um título que ela assume agora que aparece tecnicamente empatada com Lula em um eventual segundo turno.



