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Deputado explica ‘jogo político’ de escolha de Bolsonaro por Flávio: ‘Lula também fez isso em 2018’

Por Bacci Notícias 15/12/2025 01:03 Atualizado em 15/12/2025 01:03
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Recentemente, nas últimas semanas, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília após ter sido condenado por tentativa de golpe de Estado, decidiu pela indicação de seu filho Flávio Bolsonaro, que atualmente é Senador no Rio de Janeiro, como seu sucessor da direita para a candidatura a Presidência da República em 2026.

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Assim como havia prometido, Valdemar Costa Neto, presidente nacional do Partido Liberal (PL), acatou a decisão de Jair Bolsonaro e confirmou a candidatura de Flávio pelo partido para as eleições de 2026, em uma nota oficial divulgada no dia 5 de dezembro.

Mas, para o deputado estadual Léo Siqueira (Novo-SP), eleito para a Alesp em 2022, que é famoso por suas análises políticas em vídeos postados em sua conta no Instagram, a escolha pela indicação do filho foi um verdadeiro ‘golpe de mestre’ de Jair Bolsonaro.

Isso porque, para o deputado estadual, que é formado em Economia na Fundação Getúlio Vargas e PhD Economia pelo Insper, o foco de Jair Bolsonaro não é ganhar a eleição em 2026 e sim não perder o controle da direita, o que poderia acontecer com uma possível indicação de Tarcísio de Freitas, atual Governador de São Paulo, como candidato da direita.

“O ponto central é bem simples. Bolsonaro não tá numa disputa pra vencer 2026. Ele tá numa disputa pra não perder o controle da direita. Ao escolher Flávio Bolsonaro, um candidato com menor penetração no centro e maior rejeição, Bolsonaro faz exatamente o que precisava fazer para resolver a sua maior preocupação, o avanço de Tarcísio de Freitas”, explicou o economista em sua análise.

“Tarcísio vem acrescendo, se tornando competitivo, palatável pros empresários, governadores, congresso. E por que é tão importante Bolsonaro conter esse movimento? Basta lembrar uma regra básica da política,” completou.

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Lula usou a mesma tática

Para Léo Siqueira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou a mesma tática em 2018 quando decidiu não apoiar Ciro Gomes, em ascensão na esquerda na época, e lançou candidatura própria do PT, com Fernando Haddad. Na época, perdeu a eleição para o próprio Bolsonaro, mas quatro anos depois, o próprio Lula voltou à presidência da república.

“Quem controla o candidato, controla o bloco. Lula fez isso em 2018. Enquanto tava preso, o Ciro podia ganhar as eleições. Ele apoiou o Ciro? Não, lançou o Haddad e perdeu a eleição. Mas manteve a hegemonia da esquerda até hoje. Quatro anos depois, volta e se torna presidente”.

O deputado seguiu explicando que desta vez a lógica é a mesma, só que em lados opostos. “A lógica é a mesma aqui. Se o Bolsonaro assistisse imóvel, o Tarcísio poderia virar o líder da direita. E o Bolsonaro viraria um acionista minoritário do próprio campo”.

“Se o Tarcísio disputar essa eleição e for competitivo, ele pode ganhar ou se perder, se viabilizar pra 2030. E se Tarcísio crescer, os amigos, os deputados, os senadores, os prefeitos migram todos pra eles muito rapidamente. E aí Bolsonaro vira um coadjuvante, como estava virando”.

“A escolha de Flávio, portanto, funciona como um aviso muito claro de Bolsonaro. Não existe aliança sem que eu seja hegemônico. Bolsonaro sabe que o preço eleitoral pode ser alto e que isso aumenta a probabilidade de Lula vencer”.

“Mas na equação dele, esse resultado não é o mais importante. Porque com Flávio, Bolsonaro perde a eleição provavelmente. Mas com Tarcísio, Bolsonaro perde o comando com certeza”, completou.

Deputado Leo Siqueira foi quem fez a análise sobre a disputa política (Foto: Rodrigo Costa)

Derrota que pode se transformar em vitória?

Por isso, na visão do deputado estadual Léo Siqueira (Novo-SP), essa derrota pode se transformar em vitória para Jair Bolsonaro no futuro. Ele ainda falou da decisão que Tarcísio de Freitas terá que tomar: disputar a hegemonia da direita com a família Bolsonaro, ou tentar a reeleição em São Paulo e esperar as eleições de 2030 para se candidatar à presidência.

“Ou seja, perder a eleição, mas manter a hegemonia pra Bolsonaro tem muito mais valor que ganhar a eleição e dividir o poder. Agora, o Tarcísio tem três opções. A primeira, enfrentar Bolsonaro no eleitorado da direita”, analisou.

“Nesse caso, ele perde porque a base radical é cativa. Segunda opção, migrar pro centro. Nesse caso, ele também perde apoio interno e se descola dessa marca da direita. E a terceira, recuar e esperar 2030. Isso enfraquece Tarcísio, mas preserva seu capital político estadual. De qualquer forma, o movimento de Bolsonaro coloca Tarcísio num canto do tabuleiro”, completou.

Para ele, todo esse cenário na direita pode favorecer o próprio rival. “E o Lula? Onde é que ele entra nisso? Bom, o Lula é o único jogador que tá jogando parado. Não precisa fazer nada, não precisa reagir. Só assiste de camarote e dá muita risada”.

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