O empresário Alison de Araújo Mesquita, de 43 anos, confessou à Polícia Civil, na noite de segunda-feira (15), que matou Henay Rosa Gonçalves Amorim, de 31 anos, e tentou encobrir o crime simulando um acidente de carro na rodovia MG-050, em Itaúna, na região centro-oeste de Minas Gerais. A informação foi confirmada pelo advogado do suspeito, Michael Guilhermino.
Inicialmente, a morte de Henay foi registrada como um acidente de trânsito após o veículo do casal invadir a contramão e colidir de frente com um micro-ônibus de turismo. Na ocasião, a Polícia Militar Rodoviária informou que a mulher estava no banco do motorista e Alison no banco do passageiro.
O rumo da investigação mudou após a análise de imagens de câmeras de segurança do pedágio da MG-050. As gravações mostram Henay inconsciente ao volante, enquanto Alison, que estava no banco do passageiro, se inclina para alcançar o volante e dirigir o carro de forma improvisada. Ao ser questionado pela funcionária do pedágio, ele afirmou que a companheira estava passando mal e disse que iria parar para atendimento, mas seguiu viagem.
Cerca de nove minutos depois, o carro invadiu a contramão em uma curva, no km 90 da rodovia, e ocorreu a colisão fatal. Henay morreu ainda no local. A Polícia Civil identificou contradições entre a dinâmica do acidente e os ferimentos da vítima, considerados incompatíveis com o impacto da batida.
As investigações apontaram indícios de brigas, agressões e possível asfixia dentro do veículo, levantando a suspeita de que Henay já estivesse inconsciente antes da colisão. Arranhões no rosto, suor excessivo, troca de roupas após o acidente e um histórico de violência no relacionamento reforçaram a linha de investigação.
Diante dos indícios, a Polícia Civil solicitou uma nova perícia, coletou depoimentos e analisou mensagens, fotos e registros de atendimentos médicos anteriores. O sepultamento da vítima chegou a ser adiado para a realização de novos exames.
Alison foi preso na manhã de segunda-feira (15), durante o velório de Henay, em Divinópolis (MG). Ele não reagiu à abordagem e, inicialmente, negou o crime. Os celulares do investigado e da vítima foram apreendidos e encaminhados para perícia. A Polícia Civil aguarda o resultado do laudo de necropsia para concluir as investigações, que agora tratam o caso como feminicídio.
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