A reportagem do ContilNet teve acesso, com exclusividade, nesta quinta-feira (26), a trechos do depoimento do jovem Antônio de Sousa Moraes, de 22 anos, suspeito de assassinar o jornalista e colunista social Moisés Alencastro, no último domingo (21). O processo corre em segredo de justiça.
O corpo de Moisés foi encontrado apenas na segunda-feira (22), por amigos de trabalho, dentro do apartamento onde morava, localizado no bairro Morada do Sol, em Rio Branco. O suspeito foi preso pela polícia ainda nesta quinta-feira (25), em uma área de mata no bairro Eldorado, após se entregar.
Em depoimento à polícia, Antônio confessou que conhecia Moisés havia aproximadamente dois anos. O acusado relatou ainda que o colunista o ajudava financeiramente e que “era uma pessoa muito boa”.
Dia do crime
Segundo o depoimento, Moisés convidou Antônio para ir à sua residência durante a noite, com a proposta de levar mais uma pessoa ao local. Antônio aceitou o convite e chamou um parceiro, identificado como Natanael Oliveira de Lima, de 23 anos, apontado como o segundo envolvido no assassinato do jornalista e preso na noite desta quinta-feira.

Prédio onde morava o colunista Moisés Alencastro/Foto: Reprodução
Ainda conforme o relato, Moisés pagou um veículo por aplicativo para que os dois fossem até sua casa. Antes disso, a dupla estaria em uma distribuidora, onde fez uso de entorpecentes. Já no interior do apartamento, uma proposta feita por Moisés, enquanto os três estavam no quarto, teria provocado uma briga corporal.

Natanael Oliveira de Lima, de 23 anos/Foto: ContilNet
Antônio afirmou que desferiu um soco em Moisés e, em seguida, foi até a cozinha, pegou uma faca e retornou ao quarto. O colunista não conseguiu reagir. O jovem confessou que a primeira facada atingiu o pescoço da vítima. A segunda foi desferida na região das costelas, alcançando o coração. Outras facadas ainda teriam sido desferidas em seguida.
Suspeitos fogem
Após o crime, Antônio relatou que deixou o apartamento e fugiu junto com o segundo envolvido. O ContilNet não obteve informações, no depoimento, sobre o que a dupla fez com o veículo de Moisés, que foi encontrado ainda na segunda-feira, na estrada do Quixadá, abandonado, com as portas abertas, pneus furados e o porta-malas aberto.

Polícia encontrou o carro de Moisés abandonado na Estrada do Quixadá/Foto: O Alto Acre
Mãe e irmã do acusado procuram a polícia
Antônio disse à polícia que levou alguns pertences de Moisés, incluindo o celular do colunista, para sua casa. Ao chegar, escondeu uma sacola com os objetos pessoais debaixo da cama da mãe. Em seguida, contou à genitora tudo o que havia acontecido e confessou o crime.
A mãe teria pedido que ele retirasse os objetos do local, afirmando que não concordava com o que ele havia feito. A irmã do acusado também ouviu o relato. As duas permaneceram em silêncio inicialmente e chegaram a acompanhar os noticiários para verificar se havia alguma informação sobre o caso, mas nada foi divulgado no domingo.
Na segunda-feira, dia em que o corpo de Moisés foi encontrado, ambas foram surpreendidas com a notícia veiculada pelos meios de comunicação de que o colunista havia sido assassinado. O que ajudou a mãe e a irmã a relacionarem o relato do acusado com o crime foi um documento assinado por Moisés, encontrado dentro da sacola pela irmã.
No dia seguinte, as duas procuraram a delegacia e formalizaram a denúncia. A mãe prestou um depoimento semelhante ao que Antônio apresentou após ser preso, segundo apurou o ContilNet.
Fuga e ameaça de facção
Nesse mesmo dia, o acusado retirou os pertences da casa da família, levou-os para uma área de mata e os enterrou dentro de uma sacola. O celular de Moisés, no entanto, foi jogado em um igarapé.
Antônio teria relatado à polícia que, enquanto estava foragido, recebeu ameaças de morte de uma facção criminosa em razão do crime. Por isso, decidiu retornar para casa e se entregar. Antes disso, desenterrou os pertences da vítima e os entregou à polícia. Na sacola havia óculos escuros, chave do carro, documentos e outros objetos pessoais.
Audiência de custódia
Antônio e Natanael passam por audiência de custódia nesta sexta-feira. O depoimento do segundo envolvido ainda não consta nos autos, conforme apuração da reportagem.
Entenda o caso
O jornalista e colunista social Moisés Alencastro foi encontrado morto dentro do próprio apartamento, no bairro Morada do Sol, em Rio Branco, na segunda-feira (22). O corpo apresentava diversas perfurações por arma branca, e a Polícia Civil passou a tratar o caso como homicídio desde as primeiras diligências.
As investigações apontaram que Moisés foi visto pela última vez na noite de domingo (21), quando recebeu duas pessoas em sua residência. Após o crime, os suspeitos deixaram o local levando pertences da vítima, incluindo o veículo e o celular.
O carro de Moisés foi localizado ainda na segunda-feira, abandonado na estrada do Quixadá, com sinais de depredação, portas abertas, pneus furados e o porta-malas aberto, o que reforçou a linha de investigação de homicídio seguido de furto.
A partir de informações repassadas por familiares de um dos suspeitos, a polícia conseguiu avançar nas investigações, o que resultou na identificação e prisão de Antônio de Sousa Moraes, que posteriormente confessou o crime em depoimento. Um segundo suspeito, Natanael Oliveira de Lima, também foi preso e apontado como envolvido no assassinato.
O caso também é acompanhado pelo Ministério Público do Estado do Acre (MPAC), que informou trabalhar com a hipótese de crime de ódio, com indícios de homofobia. A linha de investigação ainda está em análise e deverá ser confirmada ou descartada ao longo do inquérito.
As apurações seguem sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O inquérito corre em segredo de justiça.





