Falta de luz atinge 1,3 milhão de clientes em SP e Enel diz não saber quando serviço volta

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Quase 1,3 milhão de moradores da capital e da Grande São Paulo permaneciam sem energia na noite desta quinta-feira (11), dois dias depois de um ciclone extratropical atingir o estado com ventos próximos de 100 km/h. A Enel, responsável pelo fornecimento na região, afirmou que ainda não é possível estimar quando todas as casas voltarão a ter luz.

De acordo com a empresa, as equipes continuam em operação emergencial e encontram áreas onde é necessário reconstruir trechos inteiros da rede, o que inclui substituir postes, transformadores e cabos derrubados pela ventania. A concessionária informou ter restabelecido o serviço para cerca de 1,2 milhão de clientes desde quarta-feira (10/12), mas novos pedidos de atendimento continuam chegando devido à continuidade dos ventos.

O Corpo de Bombeiros registrou mais de 1.300 chamadas por quedas de árvores, muitas delas sobre fiações elétricas. Para acelerar o trabalho, a Enel afirma ter mobilizado mais de 1.600 equipes em campo, além de disponibilizar 700 geradores para atender locais essenciais, como hospitais e serviços de grande demanda.

A distribuidora afirmou que seguirá atuando até religar toda a sua base de consumidores afetados.

Nunes critica empresa e atribui apagão à falta de preparo

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) voltou a responsabilizar a Enel pela demora na recomposição do sistema. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele classificou a situação como mais um exemplo da “irresponsabilidade” da companhia, afirmando que qualquer mudança brusca do clima resulta em milhões de pessoas sem luz.

Segundo Nunes, 137 árvores caíram na cidade desde o início do temporal, e parte delas só pôde ser retirada após a Enel desligar trechos da rede elétrica. Ele elogiou o trabalho das equipes municipais, mas ressaltou que o ritmo de retirada de árvores depende diretamente da atuação da concessionária.

A reportagem procurou a Enel para comentar as críticas e aguarda resposta.

Conflitos entre Prefeitura e Enel se acumulam

A relação entre a administração municipal e a Enel vem se desgastando desde o ano passado. A prefeitura afirma ter encaminhado:

  • ofícios ao Tribunal de Contas da União e à Aneel pedindo fiscalização mais rígida do contrato;

  • solicitações para aplicação de multas por descumprimento de prazos de atendimento;

  • um pedido para cancelar o contrato de concessão da distribuidora na capital.

Além disso, Nunes buscou apoio do Ministério de Minas e Energia e de lideranças do Congresso para revisar as regras dos contratos de distribuição no país.

Em novembro do ano passado, após outro apagão que deixou mais de 2 milhões de consumidores sem luz, o município acionou a Justiça, que obrigou a Enel a apresentar um plano de contingência e um cronograma para o período de chuvas.

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