Um levantamento inédito aponta que o financiamento da ciência no Acre depende majoritariamente de recursos federais, com participação reduzida da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Acre (FAPAC) no total de investimentos em pesquisa e inovação. Os dados constam do Painel do Financiamento das Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs), ferramenta pública desenvolvida pelo Centro de Estudos Sociedade, Universidade e Ciência (SoU_Ciência), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com o Conselho Nacional das FAPs (Confap).

O investimento per capita em ciência no Acre é de R$8,82 por habitante, o 23º maior do país, enquanto a média nacional é de cerca de R$21/Foto: Reprodução
Elaborado ao longo de 2025, com base em dados consolidados de 2024, o Painel reúne informações sobre o financiamento de ciência, tecnologia e inovação nos 26 estados e no Distrito Federal, permitindo a comparação entre aportes estaduais e federais e a identificação de assimetrias regionais no sistema científico brasileiro.
No panorama nacional, as fundações estaduais de amparo à pesquisa tiveram papel relevante em 2024, com orçamento conjunto de R$4,8 bilhões, o equivalente a 37,51% do total. O valor supera, individualmente, os R$3,46 bilhões em bolsas da Capes (27,01%), os R$2,3 bilhões da Finep destinados a instituições de pesquisa (17,99%) e os R$2,24 bilhões do orçamento total do CNPq (17,49%).
Segundo a coordenadora do SoU_Ciência, Soraya Smaili, o Painel permite compreender como os modelos de financiamento se combinam no país e onde estão as principais assimetrias. “Os dados oferecem subsídios técnicos para a formulação de políticas públicas de ciência, tecnologia e inovação e tornam comparáveis informações antes dispersas”, afirmou.
No recorte estadual, o Acre destinou R$13,9 milhões à ciência em 2024. Desse total, a FAPAC aportou R$780 mil, o que corresponde a 5,6%. Entre os recursos federais, a Capes respondeu por R$10,36 milhões em bolsas (74,6%), o CNPq por R$2,75 milhões (19,8%) e a Finep não registrou aportes no período analisado.
O Painel também indica baixa prioridade orçamentária estadual para a ciência. O esforço fiscal do Acre, percentual da receita de impostos destinado à fundação de amparo à pesquisa, é de 0,25%, o que coloca o estado na 18ª posição entre as unidades da Federação, abaixo da média nacional (0,39%). Estados como Rio de Janeiro (0,83%), São Paulo (0,78%) e Amazonas (0,71%) apresentam percentuais mais elevados.
O investimento per capita em ciência no Acre é de R$8,82 por habitante, o 23º maior do país, enquanto a média nacional é de cerca de R$21. No indicador de investimento por pesquisador, o estado registra R$7 mil, frente à média nacional de R$12,2 mil. Já a densidade de pesquisadores é de 125 por 100 mil habitantes, abaixo da média brasileira (186).
Para a coordenadora do Painel do Financiamento das FAPs, Maria Angélica Minhoto, a transparência dos dados é central para o debate público. “A transparência dos dados e o diálogo entre as instituições são essenciais para que a sociedade compreenda a importância do investimento em pesquisa. Ciência não é gasto — é desenvolvimento, inovação e soberania”, afirmou.
