Recentemente a capital do Maranhão, São Luís, viveu mais um marco na celebração de sua identidade musical – a realização do Festival Ilha do Reggae, promovido pelo governo do estado nos dias 22 e 23 de novembro na Arena Jamaica Brasileira. Com a participação de artistas locais, nacionais e internacionais, o evento reafirmou a posição de São Luís como a capital brasileira do reggae — título reconhecido oficialmente e sustentado pela força histórica da cultura regueira na cidade.
Lugar de brisa fresca e brilho de mar no horizonte, São Luís é lugar onde se dança reggae “agarradinho” – e não ficou conhecida como Jamaica Brasileira à toa.
Pesquisadores como Carlos Benedito Rodrigues (UFMA), autor de Jamaica Brasileira: Reggae, Sociedade e Identidade no Maranhão, destacam que a chegada do gênero ao estado, a partir dos anos 1970, encontrou terreno fértil em uma cidade marcada por forte presença afrodescendente, intensa vida cultural e sociabilidades populares vibrantes. O fenômeno ganhou contornos próprios: aqui o reggae foi dançado em pares, impulsionado por radiolas potentes, criando um estilo de ouvir e viver música que não existe em outro lugar do mundo.
Outro autor central na compreensão do fenômeno, Ademar Danilo, pesquisador e gestor do Museu do Reggae, analisa a construção simbólica que fez de São Luís uma “Jamaica brasileira”, destacando como o reggae se tornou elemento cotidiano, afetivo e identitário, articulando cultura, memória, turismo e economia criativa.
É essa tradição — viva, orgânica, enraizada nos bairros e no Centro Histórico — que o festival celebra e projeta para novas audiências.
Com a participação de artistas locais, nacionais e internacionais, o evento reafirmou a posição de São Luís como a capital brasileira do reggae
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Pontes culturais entre Maranhão e Jamaica
O Festival Ilha do Reggae incluiu grandes nomes da cena mundial e brasileira, como Burning Spear, Israel Vibration, Dezarie, Ky-Mani Marley, Tribo de Jah, Edson Gomes, Planta & Raiz, além de uma extensa lista de artistas e grupos que estruturam a estética, o repertório e a memória do reggae maranhense. Cerca de 30 atrações se apresentaram diariamente, em uma fusão que conectou gerações e estilos, fortalecendo a cadeia produtiva da música no estado.
O evento também consolida um movimento formal de aproximação entre Brasil e Jamaica, cumprindo compromisso firmado pelo governador Carlos Brandão durante a visita oficial do ministro do Turismo jamaicano, Edmund Bartlett, em 2024, quando foi assinado um memorando de entendimento voltado ao turismo sustentável e ao intercâmbio cultural entre os países.
A parceria reforça o reconhecimento internacional da singularidade maranhense e amplia o diálogo entre as duas nações que compartilham, há décadas, um repertório afetivo moldado pelo reggae.
Realizado no coração da capital, o Festival Ilha do Reggae extrapolou a ideia de espetáculo musical: é uma experiência cultural imersa na própria história de São Luís. Nas praças, becos e casarões do Centro Histórico, o som das radiolas ecoa como parte da paisagem urbana, moldando hábitos, festas e afetos, marcando o encerramento do mês da Consciência Negra.
Ao juntar artistas consagrados e talentos locais, visitantes e moradores, o Maranhão reafirma seu lugar no mapa global do reggae e fortalece um legado que ultrapassa o palco, transformando-se em turismo, memória, trabalho e identidade.
