Lula usa discurso de Natal para reforçar economia, segurança e programas sociais antes do ano eleitoral

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez, na noite desta terça-feira (24), um pronunciamento de Natal exibido em cadeia nacional de rádio e televisão. Com duração de cerca de seis minutos, o discurso teve tom de balanço do ano e antecipou temas que devem pautar o debate eleitoral de 2026, como economia, políticas sociais, segurança pública e soberania nacional.

Lula avaliou que 2025 foi “um ano difícil, com muitos desafios”, mas afirmou que o país saiu mais forte. Segundo ele, “todos que torceram ou jogaram contra o Brasil acabaram perdendo”, enquanto a população brasileira foi “a grande vencedora”. O presidente não citou diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mas imagens do norte-americano cumprimentando Lula apareceram na peça institucional divulgada pelo Palácio do Planalto.

Na área internacional, o presidente celebrou uma das principais vitórias do governo no ano: a negociação com a Casa Branca que resultou na redução do chamado tarifaço imposto ao Brasil e no diálogo que levou ao fim da aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Entre os principais destaques do pronunciamento, Lula comemorou a saída do Brasil do Mapa da Fome, segundo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU). Em tom crítico aos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro, lembrou que o país havia superado a fome em 2014, mas voltou a registrar índices elevados nos anos seguintes, chegando a 33 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar. Para reverter esse quadro, citou a retomada do Bolsa Família, o apoio à agricultura familiar, a valorização do salário mínimo, a geração de empregos e investimentos na alimentação escolar.

Outro ponto enfatizado foi a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, aprovada no fim de novembro. De acordo com o presidente, a medida vai beneficiar cerca de 15 milhões de brasileiros a partir de janeiro, aliviando o orçamento das famílias e estimulando a economia.

Na área social, Lula destacou programas lançados ou retomados ao longo do ano, como o Agora Tem Especialistas, voltado à redução das filas no SUS, o Pé-de-Meia, para incentivar a permanência de jovens na escola, além do Gás do Povo e do Luz do Povo, destinados a diminuir gastos básicos das famílias de baixa renda. Também mencionou a retomada do Minha Casa Minha Vida, sua ampliação para a classe média e o lançamento do Reforma Casa Brasil.

O presidente ressaltou ainda os investimentos em infraestrutura por meio do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e obras como a transposição do Rio São Francisco. Segundo ele, essas iniciativas contribuíram para que o país encerrasse o ano com a menor taxa de desemprego da série histórica, recordes de empregos com carteira assinada, aumento da renda média e inflação sob controle.

Ao tratar da segurança pública, Lula reconheceu que a violência continua sendo um dos maiores desafios do país e que o tema estará no centro do debate eleitoral. Ele elogiou a atuação da Polícia Federal, citando a Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto, que investiga a atuação de facções criminosas e suas ligações com empresas e esquemas financeiros. “Nenhum dinheiro ou influência vai impedir a Polícia Federal de ir adiante”, afirmou.