O triste, mas merecido fim de Bolsonaro, o falso messias

o-triste,-mas-merecido-fim-de-bolsonaro,-o-falso-messias
O triste, mas merecido fim de Bolsonaro, o falso messias

Conheci de perto um líder africano que no início dos anos 1990 padecia do mesmo mal que acometeu Bolsonaro e seus filhos de 2019 pelo menos até agora: só dar ouvidos à própria voz. Jonas Malheiros Savimbi era o nome dele, o chefe da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA).

Com a queda do Muro de Berlim em 1989 e a dissolução da União Soviética em 1991, Savimbi tinha tudo para vencer a primeira eleição democrática da história de Angola, afinal realizada em outubro de 1992. Ex-colônia portuguesa, Angola se tornara independente em 1975, mas desde então vivia uma guerra civil.

Três grupos disputavam ali o poder total: a UNITA, apoiada pela África do Sul e alguns países europeus; a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) apoiada pela China e subsidiariamente pelos Estados Unidos; e o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), apoiado por russos e cubanos.

Cada grupo controlava uma parte do país. Em Luanda, capital, e em outras províncias, mandava o MPLA que se dizia um partido marxista-leninista. Em províncias do Sul, Huambo a mais importante, mandava a UNITA. A FNLA estava em decadência. Na prática, em 1992, seria esquerda (MPLA) contra a direita (UNITA).

O MPLA venceu – entre tantos motivos, porque seu dirigente supremo, o presidente José Eduardo dos Santos, deu ouvidos a vozes que souberam aconselhá-lo sobre um tipo de eleição que ele nunca disputara. A UNITA perdeu justamente porque Savimbi fez o oposto. Derrotado, retomou a guerra e foi morto anos depois.

Bolsonaro foi um presidente acidental. Dificilmente teria vencido a eleição de 2018 se Lula estivesse solto. A facada dispensou-o de fazer campanha na reta final do primeiro turno. Foi obrigado a disputar o segundo com Fernando Haddad. Enquanto governou, só deu trato aos seus instintos assassinos e aos dos filhos.

O resultado está aí. Jaz numa cela da Polícia Federal sem que ninguém reze à sua porta. Acreditou que Donald Trump o salvaria só por tê-lo bajulado durante tanto tempo. Sequer lembrou de que Trump detesta perdedores. Isolado e inelegível até completar 105 anos, Bolsonaro vê desmoronar seu castelo de cartas.

Mereceu. Recorra a Deus, se um dia de fato acreditou nele.

PS: Dos pequenos anúncios do jornalista Octavio Guedes: “Vendo bandeira norte americana em bom estado, resistente, cores vivas e costuras intactas. Ideal para manifestações. No Pix. Leve grátis um boné seminovo do ‘Make América Great Again’”.

 

Todas as Colunas do Blog do Noblat no Metrópoles

PUBLICIDADE

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensão de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteúdo de qualidade gratuitamente.