Milhares de crianças brasileiras foram alfabetizadas lendo gibis de uma turminha divertida e simpática: a “Turma da Mônica”. E, nesta semana, a obra de valor simbólico do cartunista Mauricio de Sousa virou Patrimônio Cultural Imaterial da cidade de São Paulo! A decisão foi aprovada por unanimidade pela Câmara Municipal no início de novembro e sancionada pelo prefeito, Ricardo Nunes.
A homenagem reforça o impacto profundo que o cartunista, hoje com 90 anos, exerceu não apenas sobre a capital, onde consolidou sua carreira; mas também sobre diversas gerações no país e no exterior. A justificativa da lei ressalta que o universo criado por Mauricio se tornou um componente essencial da memória coletiva, difundindo valores educativos e inclusivos por meio de uma produção que atravessa mídias e formatos.
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O portal LeoDias procurou a família Sousa por meio da assessoria de imprensa para um depoimento sobre a condecoração. Em nota oficial encaminhada aos veículos de comunicação em geral, escreveram: “Mauricio e sua família agradecem a sanção da lei que reconhece oficialmente a obra de Mauricio de Sousa como Patrimônio Cultural Imaterial do Município de São Paulo. A homenagem foi recebida com alegria e profundo respeito, especialmente por ocorrer ainda em vida, coroando mais de seis décadas de contribuição para a cultura, a educação e o imaginário coletivo dos brasileiros”.
História de Mauricio e da “Turma da Mônica”
A trajetória do artista começou antes da fama. Nascido em Santa Isabel, no interior paulista, Mauricio viveu parte da juventude em Mogi das Cruzes, até se mudar para a capital para trabalhar como repórter policial. Foi em 1959 que publicou sua primeira tirinha, estrelada por Bidu e Franjinha. Os personagens inauguraram um catálogo que hoje ultrapassa 400 criações, incluindo figuras clássicas como Mônica, Cebolinha, Magali, Cascão, Chico Bento e muitos outros.
Alguns anos depois de Bidu e Franjinha, veio a criação de Mônica e Cebolinha, entre o início e meados dos anos 1960. A partir daí, o “Bairro do Limoeiro” passa a se consolidar como um cenário fixo, e a turma cresce rapidamente até se tornar a série de quadrinhos mais popular do país.
Ao longo das décadas, as HQs passaram por três grandes fases editoriais: foram publicadas pela Editora Abril de 1970 a 1986; depois pela Editora Globo de 1987 a 2006 e, desde 2007, pela Panini Comics, somando milhares de edições e mantendo os personagens entre os mais vendidos do mercado.
Em 2008, a linha de gibis ganhou uma virada de linguagem com o lançamento de “Turma da Mônica Jovem”, em estilo mangá. A série mensal apresenta Mônica, Cebola, Magali, Cascão e companhia como adolescentes, com traços e narrativa inspirados nos quadrinhos japoneses, para dialogar com o público pré-adolescente e jovem.
Com o tempo, “Turma da Mônica Jovem” passou a ser organizada em “séries”. Após a edição nº 100, a numeração foi reiniciada e a atual 3ª série começou em 2021, mantendo a proposta de histórias longas. Hoje, os mangás da Turma da Mônica Jovem seguem em publicação regular. A linha “Turma da Mônica Jovem (2021)” já alcança pelo menos a 54ª edição.
Homenagens recentes
As comemorações pelo aniversário de 90 anos do cartunista, celebrados em outubro, impulsionaram uma série de homenagens recentes, incluindo uma cinebiografia atualmente em exibição nos cinemas e projetos públicos para aproximar ainda mais a cidade de sua obra. Entre eles, a instalação de 90 esculturas da Turma da Mônica espalhadas por todas as regiões de São Paulo e um banco especial no Viaduto do Chá dedicado ao artista.
A lei aprovada ressalta que as criações de Mauricio refletem o cotidiano das famílias brasileiras e marcaram a alfabetização e a imaginação de incontáveis crianças. Tal influência justificou, para a Câmara Municipal de São Paulo, a necessidade de preservar oficialmente sua contribuição para o patrimônio imaterial paulistano.





