O ano de 2025 ficará registrado como um dos mais simbólicos e intensos da história recente do Brasil. Em doze meses, o país assistiu à condenação e prisão de um ex-presidente da República, celebrou uma conquista inédita no Oscar, sediou a primeira conferência do clima na Amazônia.
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O país também viveu tensões diplomáticas internacionais e acompanhou mudanças profundas no cenário religioso mundial com a morte de um Papa e a eleição de um novo pontífice. Foi também um ano em que a palavra soberania passou a ocupar o centro do debate político, econômico e institucional.
O julgamento que marcou uma era
A política brasileira concentrou atenções em diversos momentos de 2025, mas nenhum episódio foi tão emblemático quanto o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal. Ele foi acusado de liderar uma tentativa de ruptura institucional, com crimes que incluíram tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada e outros delitos relacionados aos ataques de 8 de janeiro de 2023 contra as sedes dos Três Poderes.
Em julho, Moraes determinou que Jair Bolsonaro passasse a ser monitorado por tornozeleira eletrônica, justificando a decisão com base na articulação do ex-presidente e de seu filho com autoridades estrangeiras.
O processo foi acompanhado voto a voto, em sessões longas e altamente midiáticas da Primeira Turma do STF. Por quatro votos a um, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão. Como parte das medidas determinadas pela Corte, o ex-presidente passou a cumprir pena sob custódia da Polícia Federal, em Brasília, além de ter sido submetido a restrições judiciais, como monitoramento eletrônico e limitações de deslocamento, diante das articulações políticas e internacionais feitas durante o andamento do processo.
Congresso, manifestações e o PL da Dosimetria
Com a condenação, a principal esperança da defesa de Bolsonaro passou a ser o chamado PL da Dosimetria, aprovado no Congresso, que propõe a redução de penas de condenados e réus pelos atos de 8 de janeiro.
O PL da Dosimetria (PL 2162/2023) é uma proposta de lei que altera a forma como são calculadas as penas para crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado e aos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Em vez de somar penas por diferentes crimes, o projeto estabelece que, quando estes forem praticados no mesmo contexto, será aplicada apenas a pena mais grave, com acréscimo proporcional menor, o que tende a reduzir o tempo total de punição.
O texto também modifica critérios de progressão de regime de prisão, diminuindo o tempo mínimo exigido para avanços no cumprimento da pena, o que pode reduzir ainda mais o período de encarceramento de condenados, como o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros envolvidos nos eventos de 8 de janeiro.
Especialistas discutem que a mudança pode, de forma mais ampla, impactar regras de dosimetria aplicáveis a outros crimes, e que sua aplicação dependerá de decisões judiciais específicas para cada caso.
O projeto foi apresentado na Câmara dos Deputados com relatoria do deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), que orientou a tramitação e defendeu a proposta como uma alternativa à anistia ampla, focando na redução de penas já aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal. Após aprovação na Câmara com 291 votos a favor, o texto seguiu para o Senado, onde foi relatado pelo senador Esperidião Amin (PP-SC), aliado político que também apoiou as alterações no cálculo das penas durante a análise na Comissão de Constituição e Justiça e no Plenário da Casa.
Antes da votação no Senado, manifestações foram organizadas em diversas cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro. Movimentos semelhantes já haviam ocorrido anteriormente contra propostas como a PEC da Blindagem e o PL da Anistia, mobilizações populares que acabaram barrando o avanço dessas pautas no Legislativo.
Governo Lula e Congresso: relação instável
Ao longo de 2025, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva viveu uma relação descrita nos bastidores como de “tapas e beijos” com o Congresso Nacional.
Os presidentes da Câmara e do Senado alternaram momentos de apoio a projetos do Executivo com críticas públicas e enfrentamentos diretos. Um dos pontos de maior tensão foi a indicação do ministro-chefe da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal após a aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso, decisão que surpreendeu o meio jurídico e político.
Sanções internacionais e tensão diplomática
A política externa brasileira também enfrentou um de seus momentos mais delicados. A atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, em articulações para tentar livrar o pai da prisão, teve consequências diretas.
Em 2025, o presidente norte-americano Donald Trump anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros e a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do STF Alexandre de Moraes, elevando a tensão diplomática entre os dois países, numa escalada que combinou sanções e restrições comerciais em resposta ao processo e à condenação de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal.
No entanto, a relação entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem variado entre tensão e diálogo ao longo de 2025. Após um primeiro momento de confronto, com imposição de tarifas sobre exportações brasileiras e sanções a autoridades brasileiras, os dois chefes de Estado chegaram a se comunicar por videoconferência e se encontraram pessoalmente durante cúpulas internacionais, numa tentativa de retomar canais diplomáticos abertos e negociar temas comerciais e bilaterais.
Apesar desses esforços de aproximação, a relação ainda permanece marcada por divergências: o Brasil criticou a utilização de tarifas como instrumento político, reafirmou a soberania de suas instituições e considerou medidas de reciprocidade comercial, enquanto Trump manteve pressão sobre o Brasil em questões econômicas e jurídicas.
COP30: o mundo voltou os olhos para a Amazônia
Outro marco do ano foi a realização da COP30, em Belém, a primeira conferência do clima da ONU realizada na Amazônia.
Durante o evento, ganhou força a discussão sobre a eliminação da dependência dos combustíveis fósseis, tema que mobilizou ambientalistas, lideranças indígenas e representantes de diversos países. Apesar do peso do debate, a proposta não foi incluída no documento final da conferência, o que gerou críticas e frustrações entre movimentos ambientais.
Religião: morte de um papa e novo pontificado
Em 2025, o mundo — e especialmente o Brasil, maior país católico do planeta — foi impactado pela morte do Papa Francisco. O falecimento do primeiro pontífice latino-americano encerrou um papado marcado por defesa dos pobres, críticas às desigualdades e apelos constantes por justiça social e ambiental.
Após o conclave, a Igreja Católica elegeu um novo líder: Papa Leão XIV, inaugurando um novo capítulo na história do Vaticano e despertando expectativas sobre os rumos da Igreja nos próximos anos.
Cultura e conquistas históricas
O ano também foi marcado por uma conquista inédita: o Brasil venceu seu primeiro Oscar, com o filme “Ainda Estou Aqui”, consagrando definitivamente o cinema nacional no maior prêmio da indústria audiovisual mundial.
No campo cultural e esportivo, nomes brasileiros ganharam destaque internacional, enquanto grandes eventos e apresentações reforçaram a presença do Brasil no cenário global do entretenimento e da cultura.
Big techs, lobby e democracia
Outro tema relevante de 2025 foi o avanço do debate sobre o poder das big techs. O ano começou com executivos de gigantes da tecnologia ocupando posições de destaque na posse do presidente norte-americano Donald Trump, evidenciando a influência dessas empresas na política global.
Ao longo do ano, uma investigação transnacional revelou milhares de ações de lobby dessas empresas contra tentativas de regulação, principalmente em países do Sul Global. O trabalho mostrou alianças com a extrema direita e a atuação de figuras políticas brasileiras em favor dos interesses dessas corporações, reacendendo alertas sobre democracia, soberania digital e regulação das plataformas.
BR 2025: soberania como palavra-chave
Entre julgamentos históricos, disputas internacionais, conquistas culturais e debates ambientais, 2025 consolidou a soberania nacional como expressão central do ano.
O Brasil viveu um período de confrontos institucionais, projeção internacional e redefinições profundas — um ano que não apenas acumulou fatos, mas reorganizou narrativas, deixou marcas duradouras e ajudou a desenhar os caminhos políticos, sociais e culturais do país.
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