O estado do Rio de Janeiro registrou este ano aumento nos nĂșmeros relacionados Ă violĂȘncia domĂ©stica. Os dados foram reunidos pelo ObservatĂłrio Judicial de ViolĂȘncia contra a Mulher, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).

Entre janeiro e novembro, foram 68.743 sentenças relacionadas Ă violĂȘncia contra a mulher, 6,57% a mais do que o mesmo perĂodo em 2024. O TJ realizou 33.562 audiĂȘncias sobre violĂȘncia de gĂȘnero, crescimento de 4%. TambĂ©m foram efetuadas 4.771 prisĂ”es de agressores, contra 4.578 no ano anterior. Os processos novos sobre violĂȘncia domĂ©stica aumentaram de 69.597 em 2024, para 71.762 este ano.Â
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Os feminicĂdios apresentaram uma leve queda no perĂodo analisado. Foram 93 este ano, em comparação com 100 no ano passado. O mĂȘs com maior nĂșmero de mortes foi março,quando foram registradas 14 mortes, mĂȘs que se comemora o Dia Internacional da Mulher, no dia 8 de março.Â
Este ano, foram concedidas 30.934 medidas protetivas de urgĂȘncia em todo o estado do Rio de Janeiro.
Segundo o TJ, os indicadores do sistema de Justiça refletem o fortalecimento de polĂticas de enfrentamento Ă violĂȘncia contra a mulher e a ampliação de estruturas especializadas no atendimento Ă s vĂtimas. Entre as iniciativas em destaque estĂŁo os grupos de trabalho Enfrentamento Ă ViolĂȘncia ObstĂ©trica e Mulheres Negras e Interseccionalidades, que atuam de forma integrada com instituiçÔes do sistema de Justiça, da saĂșde, da educação e da sociedade civil.
âO GT- ViolĂȘncia ObstĂ©trica quer que as mulheres tenham informação e um parto livre de qualquer forma de violĂȘncia. Esse GT tem sido um sucesso. Estamos disseminando, dentro das instituiçÔes do sistema de Justiça, de saĂșde e da educação, o debate sobre o parto humanizadoâ, explicou a coordenadora estadual da Mulher em Situação de ViolĂȘncia DomĂ©stica e Familiar (Coem), desembargadora Adriana Ramos de Mello.
âO GT- Mulheres Negras e Interseccionalidades foi criado a partir dos dados que nos revelam que as mulheres negras sĂŁo as mais atingidas pela violĂȘncia domĂ©stica, pela violĂȘncia obstĂ©trica e pelo assĂ©dio. Ă um grupo com participação de integrantes de instituiçÔes do sistema de Justiça, da rede de atendimento Ă mulher e da sociedade civilâ, acrescentou a desembargadora.Â
Os dados tambĂ©m revelam o impacto da violĂȘncia sobre crianças e adolescentes. Foram encaminhados a abrigos, como medida de proteção emergencial, 58 mulheres vĂtimas e os filhos menores de idade.
A Central JudiciĂĄria de Abrigamento ProvisĂłrio da Mulher VĂtima de ViolĂȘncia DomĂ©stica (Cejuvida) prestou 7.740 atendimentos. Criada para apoiar mulheres e seus filhos em situação de grave ameaça, a Cejuvida atua de forma integrada ao PlantĂŁo JudiciĂĄrio, oferecendo suporte a magistrados e delegados de polĂcia fora do horĂĄrio forense.
A central garante o encaminhamento rĂĄpido e seguro das vĂtimas Ă s casas abrigo, assegurando proteção imediata e preservação da vida. A iniciativa reforça a articulação entre o JudiciĂĄrio, a segurança pĂșblica e a rede de proteção social no enfrentamento Ă violĂȘncia domĂ©stica no estado.

