A vereadora paulistana Amanda Paschoal (PSOL) entrou com uma representação na Promotoria de Justiça do Patrimônio Público do Ministério Público de São Paulo contra Alex Leandro Bispo dos Santos, subcontratado que recebeu R$ 12 milhões em um contrato da Prefeitura de São Paulo com o Instituto Conhecer Brasil (ICB) para instalar e manter pontos de Wi-Fi gratuito em áreas carentes da cidade.
O vereador Nabil Bonduki (PT) também apresentou notícia de fato à mesma promotoria, apontando irregularidades em um contrato que destinou R$ 108 milhões ao ICB para a instalação de 5.000 pontos de internet e manutenção por um ano. Segundo levantamento do próprio instituto, apenas 2.615 pontos foram instalados até o fim de 2024. Mesmo assim, a prefeitura teria desembolsado R$ 39,2 milhões, muito acima dos R$ 11,9 milhões previstos. Bonduki estima que ao menos R$ 46 milhões tenham sido gastos com pontos de Wi-Fi inexistentes.
Alex Bispo, de 40 anos — preso na terça-feira (10) por suspeita de feminicídio após a morte de sua companheira, Maria Katiane Gomes da Silva — recebeu os valores por meio de sua empresa Favela Conectada (Urban Connect Serviços de Tecnologia Ltda.). O contrato, apesar do montante milionário, era assinado apenas com o nome “Alex”, sem sobrenome, e com um CPF ocultado (“XXX”). A empresa, que tinha capital social de apenas R$ 10 mil pouco antes da contratação, teria emitido sua 69ª nota fiscal em abril, mesmo alegando prestação contínua de serviços.
Na representação, Amanda destaca também que o ICB — apresentado em seu site como uma ONG voltada para educação, cultura, turismo e eventos — não menciona qualquer atividade relacionada a telecomunicações ou infraestrutura de Wi-Fi, reforçando o risco de contratação sem capacidade técnica.
A vereadora afirma que o caso envolve possíveis crimes como fraude em licitação, peculato, improbidade administrativa e execução simulada de contrato. Ela solicita a suspensão imediata de pagamentos à Urban Connect, sequestro de bens dos investigados até o valor de R$ 12 milhões, busca e apreensão na sede da empresa e o ressarcimento integral aos cofres públicos.
“O Município não apenas deixou de receber o que contratou, como suportou perdas financeiras significativas”, escreveu Amanda, defendendo intervenção urgente do Ministério Público.

