Acre registra a maior taxa de feminicĂ­dios dos Ășltimos seis anos, diz observatĂłrio do MP

Somente em 2025, foram registrados 14 feminicĂ­dios consumados no estado

Por Suene Almeida, ContilNet 19/01/2026 Atualizado: hĂĄ 3 meses

O ObservatĂłrio de ViolĂȘncia de GĂȘnero (OBSGĂȘnero), ĂłrgĂŁo auxiliar do MinistĂ©rio PĂșblico do Estado do Acre e integrado ao Centro de Atendimento Ă  VĂ­tima (CAV), divulgou dados que revelam um cenĂĄrio preocupante em relação aos feminicĂ­dios no estado. O ĂłrgĂŁo atua como uma sala de anĂĄlises, estudos e pesquisas voltadas ao monitoramento da violĂȘncia de gĂȘnero, reunindo informaçÔes para subsidiar açÔes de prevenção e responsabilização.

De acordo com o levantamento, a taxa de feminicĂ­dios no Acre apresentou variaçÔes ao longo dos Ășltimos anos. Em 2019, o Ă­ndice era de 2,73; em 2020, subiu para 2,95. Em 2025, no entanto, o nĂșmero cresceu de forma significativa, alcançando a taxa de 3,28, a maior em seis anos.

feminicidio

O relatório também traça o perfil das vítimas e das circunstùncias dos crimes | Foto: Reprodução

Somente em 2025, foram registrados 14 feminicĂ­dios consumados no estado. A capital, Rio Branco, concentrou quatro casos. Cruzeiro do Sul e TarauacĂĄ contabilizaram dois casos cada. Os demais registros ocorreram nos municĂ­pios de Bujari, Capixaba, FeijĂł, MĂąncio Lima, Porto Acre e Senador Guiomard, com um caso em cada localidade.

O relatĂłrio tambĂ©m traça o perfil das vĂ­timas e das circunstĂąncias dos crimes. A maior parte das mulheres assassinadas estava separada ou em processo de separação do agressor, totalizando nove casos. Em relação Ă s medidas protetivas, 11 vĂ­timas nĂŁo possuĂ­am nenhuma ordem judicial de proteção vigente, enquanto apenas trĂȘs estavam amparadas por esse tipo de medida no momento do crime.

Quanto aos meios utilizados, nove mortes foram provocadas por arma branca e quatro por arma de fogo. Os dados mostram ainda que a violĂȘncia ocorreu majoritariamente no ambiente domĂ©stico: 13 dos 14 feminicĂ­dios aconteceram dentro de casa. Outros trĂȘs casos foram registrados em via pĂșblica.

Um dos casos que mais marcou o ano foi o julgamento do feminicĂ­dio de Luana Conceição do RosĂĄrio, de 45 anos, ocorrido em Senador Guiomard. O Tribunal do JĂșri da comarca condenou JosĂ© Rodrigues de Oliveira, de 54 anos, a 52 anos e 6 meses de reclusĂŁo, em regime inicial fechado, pelo assassinato da ex-companheira.

O crime aconteceu na manhã de 13 de junho de 2025, quando a vítima saía de casa de bicicleta para comprar pão e foi surpreendida pelo ex-companheiro. Segundo o processo, o réu jå a seguia desde o dia anterior e cometeu o crime por não aceitar o fim do relacionamento. A Justiça reconheceu que houve motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Na sentença, o juiz Romårio Divino Faria destacou que o crime foi premeditado e executado com extrema frieza e planejamento. O magistrado também ressaltou os impactos do assassinato sobre a família, especialmente sobre o filho da vítima, um menino autista de 11 anos, que sofreu forte abalo emocional ao tomar conhecimento da morte da mãe.

A pena-base foi fixada em 35 anos, acima do mínimo legal, em razão de circunstùncias judiciais desfavoråveis, como maus antecedentes. Com o reconhecimento das qualificadoras do feminicídio, a condenação chegou a 52 anos e 6 meses de prisão. Além disso, o réu foi condenado ao pagamento de indenização mínima de R$ 50 mil por danos morais à família da vítima.

 

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