O Acre registrou crescimento nos casos de violĂȘncia domĂ©stica e familiar contra a mulher, acompanhando uma tendĂȘncia nacional que preocupa autoridades e ĂłrgĂŁos de proteção. Diante desse cenĂĄrio, o Tribunal de Justiça do Acre (TJAC) divulgou um balanço das açÔes desenvolvidas ao longo de 2025, destacando o fortalecimento de polĂticas pĂșblicas voltadas Ă prevenção, repressĂŁo e acolhimento das vĂtimas.
Somente em 2025, cerca de 3,7 milhĂ”es de mulheres foram vĂtimas de agressĂŁo em todo o Brasil. No mesmo perĂodo, mais de mil feminicĂdios foram registrados no paĂs. No Acre, os dados tambĂ©m refletem avanço da violĂȘncia: nos Ășltimos 12 meses, foram contabilizados 14 casos de feminicĂdio, reforçando a urgĂȘncia de medidas efetivas de enfrentamento.

JudiciĂĄrio destaca medidas protetivas, polĂticas pĂșblicas e avanços no enfrentamento Ă violĂȘncia contra a mulher
Como resposta a esse cenĂĄrio, o Poder JudiciĂĄrio tem ampliado sua atuação para garantir proteção rĂĄpida e eficiente Ă s vĂtimas. Em 2024, mais de 612 mil medidas protetivas de urgĂȘncia foram concedidas em todo o territĂłrio nacional, assegurando o afastamento dos agressores e a preservação da integridade fĂsica e psicolĂłgica das mulheres. Outro avanço destacado no balanço diz respeito Ă ampliação da estrutura especializada. Atualmente, o Brasil conta com 175 varas e juizados exclusivos de violĂȘncia domĂ©stica e familiar, o maior nĂșmero desde o inĂcio da sĂ©rie histĂłrica, em 2016, quando existiam 109 unidades.
No Ăąmbito estadual, o TJAC atua por meio da Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situação de ViolĂȘncia DomĂ©stica e Familiar (Cosiv), ao longo de 2025, a coordenadoria desenvolveu iniciativas voltadas tanto Ă prevenção quanto Ă responsabilização dos autores de agressĂ”es. Entre as açÔes executadas estĂĄ o programa Conscientização pela Paz no Lar, que levou debates sobre o ciclo da violĂȘncia para escolas da rede pĂșblica. A iniciativa abordou temas como a Lei Maria da Penha (n.Âș 11.340/2006) e a Lei de Importunação Sexual (n.Âș 13.718/2018), alcançando mais de dois mil estudantes em nove municĂpios acreanos, alĂ©m da capital.

Balanço de 2025 aponta ampliação de açÔes preventivas, educativas e judiciais
Outro eixo de atuação foi o fortalecimento dos grupos reflexivos com homens autores de violĂȘncia. Durante 2025, a Cosiv dialogou com os poderes Executivo e Legislativo municipais para incentivar a implementação dessas iniciativas, que buscam promover a autorresponsabilização dos agressores, enfrentar o machismo estrutural e reduzir a reincidĂȘncia das agressĂ”es. Atualmente, sete grupos desse tipo jĂĄ estĂŁo em funcionamento no estado.
Entre as estratĂ©gias de pedido de ajuda estĂŁo campanhas como o Sinal Vermelho, em que a vĂtima desenha um âXâ na mĂŁo, e o Sinal Universal, gesto discreto feito com a mĂŁo para indicar situação de perigo. HĂĄ ainda a Central de Atendimento Ă Mulher, que funciona 24 horas por dia, gratuitamente, pelo telefone 180, oferecendo orientação, acolhimento e encaminhamento de denĂșncias.

Grupos reflexivos diminuem reincidĂȘncia de violĂȘncia contra mulheres
Em casos de emergĂȘncia, a recomendação Ă© acionar a PolĂcia Militar pelo nĂșmero 190. Caso nĂŁo seja possĂvel, a mulher pode procurar uma Delegacia Especializada de Atendimento Ă Mulher (DEAM) ou uma delegacia comum para registrar a ocorrĂȘncia. ApĂłs o registro, o JudiciĂĄrio tem atĂ© 48 horas para analisar e conceder medidas protetivas, instrumento essencial para interromper o ciclo da violĂȘncia e garantir segurança Ă s vĂtimas.

