Delcy Rodríguez diz que Venezuela foi atacada e cobra libertação de Nicolás Maduro

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A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que o país não está em guerra com os Estados Unidos, mas que teria sido alvo de uma agressão que classificou como ilegal do ponto de vista internacional. A declaração foi dada nesta terça-feira (6), durante entrevista, na qual ela adotou um tom de defesa da paz e de cooperação, inclusive ao mencionar o ex-presidente norte-americano Donald Trump.

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Segundo Delcy, a Venezuela é uma nação pacífica que estaria reagindo a um ataque externo. “Não há guerra porque não estamos em guerra. Somos um povo que foi agredido”, afirmou, ao pedir união nacional e reforçar a necessidade de defender a soberania e a dignidade do país.

No mesmo pronunciamento, Delcy exigiu a libertação de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, capturados por forças dos Estados Unidos no último sábado (3) e levados a Nova York para julgamento. Ela se referiu ao ex-presidente como “herói” e disse confiar que o povo venezuelano saberá construir um caminho de paz e resistência.

Acusações feitas pelos EUA

De acordo com a denúncia apresentada pelas autoridades norte-americanas, Maduro teria comandado por mais de duas décadas uma organização criminosa ligada ao envio de cocaína para os Estados Unidos. Além dele, também foram acusados integrantes do alto escalão do regime, como Diosdado Cabello, ministro do Interior; Cilia Flores; o deputado Nicolás Maduro Guerra, filho do ex-presidente; e outros aliados.

As acusações incluem crimes como narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro, com penas que podem chegar à prisão perpétua. Maduro nega todas as acusações.

Reação internacional

Delcy afirmou à televisão estatal venezuelana que a soberania do país estaria ameaçada, mas disse acreditar que a comunidade internacional está se mobilizando em apoio à Venezuela. No Conselho de Segurança da ONU, a presidente interina alegou que diversos países condenaram a ação dos Estados Unidos, classificando-a como uma agressão armada unilateral e uma violação do direito internacional.

A presidente interina também reagiu a declarações de Donald Trump, que teria afirmado exercer influência direta sobre decisões relacionadas à Venezuela. Delcy negou qualquer interferência externa e reforçou que o país não é governado por agentes estrangeiros.

“A Venezuela não está sob comando de nenhum poder externo”, afirmou, reiterando o pedido de libertação de Maduro e de sua esposa.

Governo interino

Pela Constituição venezuelana, em caso de ausência do presidente, o comando do país passa ao vice-presidente. Com a captura de Maduro, Delcy Rodríguez assumiu oficialmente o cargo de presidente interina, função que deverá exercer por 90 dias, com a missão de garantir a continuidade administrativa e a defesa institucional do país.

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