Um grupo de cientistas do Reino Unido apresentou uma proposta que pode mudar a forma como se discute o consumo de maconha. Em vez de analisar apenas quantidade ou frequência de uso, o estudo sugere que o foco esteja na dose de THC ingerida semanalmente — o composto responsável pelos efeitos psicoativos da cannabis.
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A pesquisa, publicada na revista científica Addiction, foi conduzida na Universidade de Bath. Os pesquisadores afirmam que não existe consumo totalmente livre de riscos, mas defendem que oferecer limites de orientação pode ajudar quem já faz uso da substância a reduzir danos, além de auxiliar profissionais de saúde e formuladores de políticas públicas.
A recomendação apresentada é que adultos não ultrapassem 8 unidades de THC por semana, o que corresponde a aproximadamente 40 miligramas. Dependendo da concentração do produto, essa quantidade pode representar algo próximo a um terço de grama de cannabis. Acima desse patamar, cresce a possibilidade de surgimento do transtorno por uso de cannabis (TUC).
Esse transtorno envolve perda de controle sobre o uso, necessidade de doses maiores, prejuízos na rotina, impactos no trabalho, vida social e nas relações pessoais. Estimativas indicam que cerca de um quinto dos usuários frequentes pode desenvolver esse quadro.
A proposta foi construída com base em dados do estudo CannTeen, que acompanhou 150 consumidores ao longo de um ano. Os resultados mostram uma diferença significativa entre quem respeita o limite e quem ultrapassa a dose. Usuários que ficaram abaixo das 8 unidades tiveram risco muito menor de desenvolver sintomas do transtorno, enquanto a maioria dos que excederam apresentou sinais preocupantes, principalmente aqueles que passaram de 13 unidades semanais.
Embora a maconha seja amplamente utilizada em vários países, ainda faltam parâmetros objetivos que ajudem a orientar o consumo responsável, especialmente em regiões onde o uso já é regulamentado. Instituições internacionais de saúde pública, como centros canadenses de prevenção ao abuso de substâncias, veem a padronização do THC como um avanço para comunicação de risco.
Os autores destacam que os dados ainda são iniciais e que novas pesquisas devem ampliar o alcance para diferentes contextos sociais e culturais. Mesmo assim, reforçam que estabelecer critérios claros pode ser um passo importante para escolhas mais conscientes e para uma discussão baseada em evidências, e não apenas em opiniões.
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