‘Turismo atômico’ leva visitantes a Chernobyl e Fukushima; quais são os perigos?

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Visitar locais marcados por grandes desastres nucleares deixou de ser apenas objeto de estudo e passou a integrar o roteiro de viajantes interessados em história, ciência e memória. Conhecido como turismo atômico, esse tipo de viagem atrai pessoas dispostas a conhecer de perto regiões afetadas por acidentes como o de Chernobyl, na Ucrânia, e Fukushima, no Japão, mesmo diante de protocolos rigorosos e do impacto emocional envolvido.

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A principal motivação é observar in loco os efeitos de tragédias que marcaram o século 20 e o início do século 21. Apesar da curiosidade, o acesso a esses locais não é simples e envolve autorizações oficiais, acompanhamento especializado e cuidados constantes com a exposição à radiação.

Chernobyl: acesso restrito e controle rigoroso

O acidente ocorrido em 1986, após a explosão do reator 4 da usina de Chernobyl, é considerado o maior desastre nuclear da história. A liberação de material radioativo contaminou extensas áreas da Ucrânia, Bielorrússia e Rússia, com registros de radiação detectados em outros países do Hemisfério Norte.

Atualmente, a região é delimitada pela chamada Zona de Exclusão de Chernobyl (ZEC), cujo acesso é permitido apenas por meio de agências credenciadas e com autorização prévia do governo ucraniano. Turistas precisam apresentar passaporte, usar roupas que cubram braços e pernas, além de calçados fechados, como forma de reduzir o contato com poeira contaminada.

Entre os pontos visitados estão a cidade abandonada de Pripyat, o entorno do sarcófago que cobre o reator e áreas onde a fauna e a flora se desenvolveram após a evacuação humana. Guias orientam constantemente os visitantes a não tocar objetos nem sair das áreas autorizadas.

Durante o passeio, os turistas recebem dosímetros para medir a exposição à radiação. Ao final da visita, todos passam por detectores e podem ser obrigados a descartar roupas ou objetos que apresentem níveis acima do permitido. Locais como a Floresta Vermelha e o interior do sarcófago permanecem interditados ao público devido à alta contaminação.

Dados oficiais indicam que, antes da pandemia, o número de visitantes ultrapassava 120 mil por ano. Mesmo com conflitos recentes na Ucrânia, o interesse pelo local segue elevado.

Fukushima: reconstrução e memória recente

O desastre de Fukushima ocorreu em 2011, após um terremoto de magnitude 9,1 e um tsunami que danificaram o sistema de resfriamento da usina Fukushima Daiichi. Três reatores sofreram derretimento parcial, provocando evacuações em massa e deixando milhares de mortos em decorrência do terremoto e das ondas gigantes.

Diferentemente de Chernobyl, partes da província japonesa vêm sendo gradualmente reabertas. Algumas cidades, como Namie, ainda apresentam ruas vazias e imóveis abandonados, mas já recebem visitantes interessados em compreender o processo de reconstrução.

A região conta com informações oficiais detalhadas sobre áreas seguras e restritas, além de monitoramento constante da população. Moradores deslocados passam por exames periódicos para medir a presença de elementos radioativos no organismo. Museus e memoriais foram criados para preservar a memória da tragédia e explicar seus impactos.

Preparação emocional e limites da visitação

Especialistas e viajantes destacam que o turismo atômico exige preparo psicológico. A experiência costuma ser descrita como reflexiva, ao expor de forma direta as consequências de acidentes tecnológicos e desastres naturais em larga escala.

Apesar da curiosidade, não se trata de um tipo de turismo recomendado a todos. A visita envolve contato com locais de sofrimento humano, cidades abandonadas e histórias de perda que ainda afetam comunidades inteiras.

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