Caiado defende fim da reeleição como pilar para 2026: ‘quatro anos bastam’

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Diferente da maioria dos políticos que buscam a manutenção do poder, o governador Ronaldo Caiado (PSD) quer chegar ao Palácio do Planalto com data de validade para sair. Em conversa exclusiva com o repórter Lucas Tadeu, do BacciNotícias, o presidenciável afirmou que, se eleito, não buscará um segundo mandato. Para ele, a gravidade da crise de governabilidade e o avanço do crime organizado exigem um choque de gestão que não pode ser refém de articulações políticas para reeleição.

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Caiado acredita que a autoridade moral e o foco em resultados imediatos permitem realizar as mudanças estruturais necessárias em apenas quatro anos.

“Com autoridade moral e determinação política, não é preciso mais de um mandato para fazer as mudanças que o país precisa, por isso, caso eleito, não disputarei reeleição. Há 40 anos o governo do PT fala em acabar com a fome do Brasil, o que não fez em cinco mandatos e agora querem um sexto.”

Estratégia Eleitoral e o Xadrez da Direita

Sobre a movimentação das peças para 2026, Caiado justificou sua saída do União Brasil para o PSD como um passo vital para evitar o “suicídio político”. Ele comentou com naturalidade o apoio de Jair Bolsonaro ao filho, Flávio Bolsonaro, mas marcou sua independência. Para o governador, a direita deve lançar o máximo de nomes possíveis no primeiro turno para oxigenar o debate e evitar que a máquina pública do governo Lula massacre uma candidatura única precocemente. Ele prega um pacto de “maturidade política” onde o apoio mútuo ocorra apenas no segundo turno.

“Uma candidatura única no primeiro turno é tudo o que o Lula quer, para despejar a máquina pública e aniquilar quem for escolhido. Nós não estamos aqui para atender o gosto do Lula, mas para ganhar a eleição. Aquele que se sair melhor e for ao segundo turno terá apoio de todos nós para vencer o PT.”

Segurança Pública e Autoridade do Estado

O ponto mais agudo da entrevista ao BacciNotícias foi a segurança pública. Caiado, que transformou Goiás em referência na área, não poupou ataques à gestão federal. Ele criticou a PEC da Segurança por tentar retirar a autonomia dos estados e acusou o governo Lula de ser conivente com a expansão das facções criminosas. Ao defender a atuação firme de sua polícia, o governador inverteu a lógica dos direitos humanos tradicionais, priorizando a proteção ao cidadão de bem e a soberania das forças de segurança estaduais sobre o crime organizado.

“O Governo Lula é conivente com o crime organizado e exporta facções. Minha polícia é treinada e age dentro da Lei. Quando há confronto, é porque o crime decidiu enfrentar o Estado. Eu serei o presidente que vai enfrentar o narcotráfico de frente, com autoridade moral, sem meias medidas.”

Eficiência e Divergências com Bolsonaro

Questionado sobre suas diferenças com o ex-presidente Jair Bolsonaro, especialmente durante a pandemia, Caiado foi pragmático. Como médico, afirmou que sua responsabilidade era salvar vidas através da ciência, mesmo que isso gerasse atritos políticos momentâneos. Ele defende que seu diferencial em relação a outros nomes da direita é a “folha de serviços prestados”, citando os índices de primeiro lugar no Ideb e na saúde pública em Goiás como prova de que é possível gerir o Estado com eficiência sem se render a radicalismos improdutivos.

Caiado se reuniu com Bolsonaro em busca do fim da crise política Foto: Divulgação / Agência O Globo

Caiado se reuniu com Bolsonaro em busca do fim da crise política Foto: Divulgação / Agência O Globo

“Eu não sigo cartilhas; eu sigo resultados que mudam a vida das pessoas. Represento uma direita que sabe governar com eficiência administrativa e independência política, sem ficar presa a radicalismos que não entregam nada ao cidadão. Sou médico e produtor rural; lido com a ciência e com a realidade dos fatos.”

O Futuro da Indústria e Tecnologia

Encerrando a entrevista exclusiva, Caiado projetou um Brasil que olha para o futuro tecnológico. Além de reestabelecer a segurança jurídica e a ordem, ele planeja inserir o país na vanguarda da economia global, focando em temas como inteligência artificial e a exploração de terras raras. Para o governador, o resgate do orgulho brasileiro passa por uma administração que seja, ao mesmo tempo, rígida no combate ao crime e arrojada na política internacional e de desenvolvimento industrial.

“Vamos replicar em todo o país as políticas exitosas de Goiás, mas também precisamos desenvolver a indústria nacional; avançar na política internacional, inserindo o país no mercado global de nossos tempos, que envolvem pesquisa e produção de terras raras e inteligência artificial.”

Leia a entrevista na íntegra:

1- Você recentemente se filiou ao PSD após deixar o União Brasil para fortalecer sua pré-candidatura à Presidência da República em 2026. Quais os principais diferenciais de projeto de país que você defende hoje em relação aos demais presidenciáveis do PSD?

Caiado – Não é uma simples troca de partido, venho de uma história de vida. A decisão de migrar para o PSD vem em decorrência de eu não ter possibilidade de me lançar candidato no União Brasil. Não podiam cobrar de mim suicídio político. Falei então que ia trocar de partido e fui bem recebido pelo Kassab. Sou homem que na minha vida nunca foi nomeado a um cargo. Tudo foi concurso, ou medicina ou ganhando eleição. Minha vida nunca foi de candidato protegido de A ou B, sempre me propus a debater política. Com a experiência acumulada em 24 anos no Congresso Nacional, como deputado e senador, e em dois mandatos como governador de Goiás, sendo o mais bem avaliado do país, com a melhor segurança pública, nota máxima em educação e referência em todas as áreas, estado que desenvolveu um ambiente de negócios que respeita o que produz, o PSD me abriu oportunidade. Meu diferencial é a folha de serviços prestados. Minha chegada ao PSD, me unindo aos colegas governadores Ratinho Jr. e Eduardo Leite, mostra que o partido reúne quem quer um projeto de país com previsibilidade e resultado, o que temos em comum na administração de nossos estados. Optei por um partido que não trabalha com candidaturas individuais e que oferece liberdade política nos estados. Aquele que for indicado terá apoio dos demais. O problema não é só ganhar a eleição é saber como governar o país diante desse colapso de governabilidade instalado pelo Lula.

2- Governador, considerando que o ex-presidente Jair Bolsonaro decidiu apoiar oficialmente a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, como o senhor avalia o impacto dessa escolha na corrida eleitoral para 2026 e na sua própria estratégia de campanha?

Caiado – O ex-presidente Jair Bolsonaro tem todo o direito, como pai e líder político, de buscar viabilizar a candidatura do filho. Respeito as decisões familiares e partidárias. No entanto, minha estratégia não muda. Minha candidatura não nasce de uma indicação, mas de um clamor por uma alternativa que una o Brasil sob a égide da lei e da ordem. A eleição é um processo de convencimento, e o eleitor saberá distinguir quem tem experiência executiva para enfrentar os problemas estruturais do país. Também é muito importante termos clareza de que múltiplas candidaturas não significam uma ruptura da direita. Ao contrário. Uma candidatura única no primeiro turno é tudo o que o Lula quer, para despejar a máquina pública e aniquilar quem for escolhido, vencendo no primeiro turno. Nós não estamos aqui para atender o gosto do Lula, mas para ganhar a eleição. Aquele que se sair melhor e for ao segundo turno terá apoio de todos nós para vencer o PT.

3- Apesar dessa escolha pelo PL, o senhor tem mantido sua pré-candidatura firme e afirmado que seguirá na disputa presidencial. Qual é, na sua avaliação, a principal diferença entre o seu projeto de país e aquele representado hoje por Flávio Bolsonaro?

Caiado – Represento uma direita que sabe governar com eficiência administrativa e independência política, sem ficar presa a radicalismos que não entregam nada ao cidadão. Meu projeto é pautado na autoridade do Estado. Em Goiás, mostramos que o governo não se curva ao crime organizado. Enquanto outros podem focar em pautas de costumes ou na herança política, meu foco é na recuperação da dignidade do brasileiro por meio de serviços públicos que funcionam. Eu não sigo cartilhas; eu sigo resultados que mudam a vida das pessoas. Exemplo disso é o que conquistamos na Educação em Goiás, com os resultados do Ideb  ficando em primeiro lugar no ranking nacional e o prêmio recebido do MEC onde fomos condecorados por nossas ações de inclusão, diversidade, alfabetização, ensino em tempo integral, desempenho no Ideb e no Enem. Na saúde também somos destaque liderando o ranking de melhores hospitais públicos em proporção populacional, além de termos inaugurado recentemente o único hospital público voltado ao tratamento oncológico infanto-juvenil com o que há de mais moderno na medicina. São ações concretas como essa que deram certo em Goiás e podem ser replicadas para o Brasil.

4- O senador Flávio Bolsonaro tem defendido que a direita apresente o maior número possível de pré-candidatos no primeiro turno, você concorda com ela, e como responde a críticos que dizem que essa pulverização pode favorecer o candidato do PT no segundo turno?

Caiado – É o que sempre defendi. Concordo que a direita deve mostrar sua força, mas o fundamental é o pacto de união no segundo turno. A democracia se fortalece com o debate de ideias no primeiro turno. Não vejo risco de favorecer o PT se tivermos maturidade. Quem chegar ao segundo turno com as melhores condições de derrotar o atual governo terá o apoio de todo o campo conservador e liberal. O inimigo comum é a estagnação econômica e a insegurança que o petismo representa.

5- Há especulações inclusive sobre a possibilidade de uma chapa conjunta entre o senhor e Flávio Bolsonaro para unificar o campo da direita. O senhor considera que essa seria uma solução realista, ou vê nisso um risco de diluir ainda mais sua base eleitoral?

Caiado – Na política, o diálogo nunca deve ser interrompido, mas hoje minha pré-candidatura está consolidada no PSD com um projeto próprio. Uma chapa conjunta agora é especulação. Minha base em Goiás e no Brasil espera que eu lidere um movimento que tenha a minha identidade. O momento é de fortalecer o partido e apresentar nossas propostas de forma clara ao país.

6- Sobre a PEC da Segurança Pública que vem sendo debatida no Congresso, você tem criticado a proposta por considerar que ela reduz a autonomia dos estados. Quais ajustes específicos Goiás espera que sejam feitos nesse texto constitucional?

Caiado – Goiás é o exemplo de que a segurança se faz com autonomia estadual. O que esperamos de ajustes é o respeito ao pacto federativo. Não aceito que o governo federal queira enquadrar os governadores, tirando a autonomia Constitucional dos estados, e ditar como devemos comandar nossas polícias. Quem sabe como proteger seu território são as forças locais de segurança, não burocratas em Brasília com projetos únicos que não refletem as realidades locais. O texto precisa focar em cooperação, não em intervenção. Queremos ajuda no controle de fronteiras e inteligência integrada, mas a decisão final sobre a estratégia de combate ao crime no estado deve ser do governador.

7- Diante de reportagens que mencionam promoções de policiais envolvidos em operações com mortes de delatores do PCC, como você responde às críticas de que políticas de segurança em Goiás privilegiam a letalidade policial em detrimento da investigação criminal e dos direitos humanos?

Caiado – O maior direito humano é o direito à vida do cidadão de bem, que em Goiás foi restabelecido. Minha polícia é treinada e age dentro da Lei. Quando há confronto, é porque o crime decidiu enfrentar o Estado. Promoções seguem critérios legais de mérito e bravura. Não aceito a inversão de valores que tenta criminalizar o policial que coloca a vida em risco para enfrentar bandidos faccionados. Investigação e inteligência são prioridades, mas a autoridade do Estado é inegociável: em Goiás, bandido não se cria nem dita regras.

8- Ainda sobre a campanha, quais pontos da sua campanha o senhor considera um diferencial de todas as outras, principalmente com as do atual presidente Lula, já que o senhor disse que seu principal objetivo é tirar o PT da presidência?

Caiado – É preciso preparo, credibilidade, independência moral, intelectual e coragem de assumir a presidência da República. O governo atual vive de narrativas e irresponsabilidade administrativa e econômica, não respeita o teto de gastos, não faz o dever de casa. O Estado incha, e o crime avança, dominando áreas inteiras do país e se expandido do Brasil para o exterior. O Governo Lula é conivente com o crime organizado e exporta facções. Meu objetivo de tirar o PT é para resgatar a economia de mercado, a propriedade privada e, principalmente, reestabelecer o comando do país na área de segurança. Eu serei o presidente que vai enfrentar o narcotráfico de frente, com autoridade moral, sem meias medidas.

9- Durante a pandemia, o senhor discordou de alguns posicionamentos do ex-presidente Jair Bolsonaro, quais pontos do discurso bolsonarista não o agradam?

Caiado – Sou médico e produtor rural; lido com a ciência e com a realidade dos fatos. Como médico, minha responsabilidade é salvar vidas. E foi como médico-governador que atuei na pandemia: quando não há protocolo para uma doença ainda desconhecida o protocolo é conter sua expansão. Então desagradei o ex-presidente e parte de seus apoiadores ao pedir para o povo goiano ficar em casa num primeiro momento e a vacinação da população. Não poderia negligenciar protocolos sanitários. No entanto, essa foi uma divergência pontual e é uma questão já superada.

10- Por fim, por qual motivo decidiu se lançar pré-candidato ao Planalto e, na sua visão, qual o principal desafio caso seja eleito?

Caiado – Decidi ser pré-candidato porque o Brasil está à deriva, sem uma liderança que imponha ordem e promova o desenvolvimento real. Há 40 anos o governo do PT fala em acabar com a fome do Brasil, o que não fez em cinco mandatos e agora querem um sexto. Com autoridade moral e determinação política, não é preciso mais de um mandato para fazer as mudanças que o país precisa, por isso, caso eleito, não disputarei reeleição. O principal desafio de Caiado presidente será retomar a autoridade do Estado em todo o território nacional. Precisamos libertar o país das garras das facções criminosas que hoje agem como estados paralelos, ameaçando a vida dos brasileiros e colapsando a nossa economia. Sem segurança pública e segurança jurídica, o Brasil não cresce. Vamos replicar em todo o país as políticas e ações exitosas que desenvolvemos em Goiás, mas também precisamos desenvolver a indústria nacional; avançar na política internacional, inserindo o país no mercado global de nossos tempos, que envolvem pesquisa e produção de terras raras, inteligência artificial e outros temas que movem as grandes nações e nem sequer temos regulamentação nacional. Vamos resgatar o Brasil e devolver ao nosso povo o orgulho de ser brasileiro.

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