Com alta de 13% na receita e redução da dívida, Acre apresenta avanço fiscal em 2025, aponta Tesouro

O retrato faz parte do Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO) em Foco (Estados e DF), divulgado nesta terça-feira (24) pelo Tesouro Nacional

Palácio Rio Branco/Foto: Reprodução

Embora não lidere os rankings de expansão de gastos, o Acre aparece entre os estados que mais ampliaram a arrecadação em 2025 e, ao mesmo tempo, figura entre os que menos avançaram no pagamento de despesas antigas. O retrato faz parte do Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO) em Foco (Estados e DF), divulgado nesta terça-feira (24) pelo Tesouro Nacional.

De acordo com o documento, o Acre registrou aumento de 13% na receita corrente em 2025 na comparação com 2024, índice que o coloca ao lado de Roraima e Alagoas entre os maiores crescimentos do país. No mesmo período, todos os estados elevaram suas receitas correntes realizadas, com exceção do Amapá, que teve retração de 9%. Os menores avanços foram observados em São Paulo (5%) e Espírito Santo (6%).

O relatório também mostra que, na comparação bimestral, todos os estados ampliaram as despesas correntes. Em 20 das 27 unidades federativas, o crescimento das despesas superou o da receita — um sinal de pressão sobre as contas públicas. Em termos percentuais, Goiás, Paraíba e Alagoas lideraram o avanço das despesas correntes em 2025 frente ao ano anterior, enquanto São Paulo (6%) e Amapá (2%) registraram os menores crescimentos.

Educação e áreas sociais

Quando o recorte é por função, o Acre se destaca na destinação de recursos para a educação. O estado aplicou 23% de sua despesa total na área, percentual que o coloca entre os maiores do país, ao lado de Amapá e Paraná. Já na saúde, os maiores percentuais foram registrados no Tocantins (23%), Amapá e Pernambuco (22%), enquanto Mato Grosso do Sul teve o menor índice (11%).

Na segurança pública, Minas Gerais (20%) e Rio de Janeiro (16%) lideram as alocações proporcionais, enquanto Distrito Federal (4%) e São Paulo (5%) aparecem com os menores percentuais.

Restos a pagar e dívida

Se por um lado o Acre ampliou a arrecadação e manteve investimento relevante em educação, por outro o estado aparece entre os que menos liquidaram restos a pagar (RAP) em 2025. Apenas 53% das despesas inscritas até o fim de 2024 foram quitadas no período analisado — mesmo percentual de Minas Gerais. O Amapá teve o pior desempenho, com 25%, enquanto Pará (86%), Mato Grosso do Sul (84%) e Pernambuco (82%) lideraram a regularização de pendências. Percentuais mais baixos podem indicar maior dificuldade para honrar compromissos antigos.

Em contrapartida, o Acre está entre os estados que mais reduziram a Dívida Consolidada (DC) em 2025. Houve queda de 11% em relação a 31 de dezembro do ano anterior — resultado que o coloca atrás apenas de Sergipe (-15%) e Mato Grosso (-14%) em redução proporcional do endividamento. Na outra ponta, Rio Grande do Norte (35%), Maranhão (33%) e Roraima (27%) registraram as maiores altas.

Panorama nacional

O RREO em Foco reúne dados das 27 unidades da federação, considerando informações dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além do Ministério Público e da Defensoria Pública. A publicação é elaborada com base nos dados enviados pelos próprios entes ao Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi), gerido pelo Tesouro Nacional.

O panorama de 2025 revela um cenário de aumento generalizado de receitas e despesas, mas com diferenças importantes na capacidade de investimento, controle de dívidas e pagamento de compromissos anteriores. No caso do Acre, o desafio que se desenha é equilibrar o crescimento da arrecadação com maior capacidade de liquidação de passivos, mantendo espaço para políticas públicas em áreas estratégicas como a educação.

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