Após quase dez horas de debate e sob forte pressão nas ruas, o Parlamento da Argentina aprovou, na madrugada desta sexta-feira (20), a reforma trabalhista proposta pelo presidente Javier Milei. O texto recebeu 135 votos favoråveis e 115 contrårios, sem abstençÔes, em uma das sessÔes mais acaloradas do ano.
Do lado de fora do Congresso, em Buenos Aires, manifestantes protestaram contra o projeto e entraram em confronto com forças de segurança. Segundo o jornal ClarĂn, ao menos 12 pessoas foram presas apĂłs tentativas de romper bloqueios policiais. A repressĂŁo incluiu gĂĄs lacrimogĂȘneo, balas de borracha e jatos dâĂĄgua.
Governo celebra, oposição critica
O governo comemorou a aprovação nas redes sociais, classificando a medida como uma das principais reformas estruturais prometidas por Milei. A gestĂŁo argumenta que a nova legislação vai modernizar regras criadas em 1974, estimular investimentos e reduzir a informalidade â que atinge cerca de 40% dos trabalhadores argentinos.
Entre os pontos centrais, o projeto flexibiliza regras de contratação, altera o sistema de férias, permite a ampliação da jornada padrão de oito para até doze horas e autoriza o pagamento de salårios em moeda estrangeira. Também simplifica o cålculo de indenizaçÔes por demissão e impÔe novos limites ao direito de greve.
A oposição, porém, afirma que a proposta enfraquece direitos históricos dos trabalhadores. O deputado Måximo Kirchner, da coalizão União pela Påtria, acusou o presidente de atender a interesses externos e criticou a redução das indenizaçÔes por demissão.
Reforma ainda terĂĄ nova anĂĄlise
Como sofreu alteraçÔes durante a tramitação â incluindo a retirada de um artigo sobre licenças mĂ©dicas â o texto retorna ao Senado, que jĂĄ havia aprovado uma versĂŁo anterior.
A sessĂŁo foi acompanhada pela secretĂĄria-geral da PresidĂȘncia, Karina Milei, e pelo ministro da Economia, Luis âTotoâ Caputo, que foram aplaudidos por parlamentares governistas.
Com informaçÔes da CNN Brasil

