Estudo aponta Acre entre os estados com mais casos de violĂȘncia polĂ­tica no paĂ­s

No recorte por estado, o Acre aparece em segundo lugar no ranking nacional, com 16,2 casos de violĂȘncia polĂ­tica

Por Suene Almeida, ContilNet 07/02/2026 Atualizado: hĂĄ 2 meses

Um estudo nacional sobre violĂȘncia polĂ­tica no Brasil acende um alerta tambĂ©m para o Acre, que aparece entre os estados com maior nĂșmero proporcional de casos. A pesquisa foi realizada por pesquisadores da Universidade de SĂŁo Paulo (USP) em parceria com o Centro Brasileiro de AnĂĄlise e Planejamento (Cebrap) e analisou episĂłdios ocorridos entre 2003 e 2023.

Ao longo de 20 anos, 1.228 pessoas foram vĂ­timas de violĂȘncia polĂ­tica no paĂ­s. Desse total, 760 foram assassinadas, 358 sofreram tentativas de homicĂ­dio e 110 receberam ameaças graves de morte. Os dados incluem polĂ­ticos – como prefeitos, vereadores, candidatos e ex-ocupantes de cargos – alĂ©m de ativistas ligados a sindicatos, movimentos sociais e organizaçÔes civis.

No recorte por estado, o Acre aparece em segundo lugar no ranking nacional, com 16,2 casos de violĂȘncia polĂ­tica

A  pesquisa mostra que a maioria dos ataques teve como alvo polĂ­ticos em atuação ou ligados Ă  polĂ­tica local| Foto: Paulo Pinto, AgĂȘncia Brasil

 

No recorte por estado, o Acre aparece em segundo lugar no ranking nacional, com 16,2 casos de violĂȘncia polĂ­tica a cada 1 milhĂŁo de eleitores, ficando atrĂĄs apenas de Alagoas. O dado chama atenção por se tratar de um estado com menor população, mas com Ă­ndice elevado quando comparado proporcionalmente a outras regiĂ”es do paĂ­s.

A pesquisa mostra que a maioria dos ataques teve como alvo polĂ­ticos em atuação ou ligados Ă  polĂ­tica local. Cerca de 88% dos casos envolvendo polĂ­ticos ocorreram no nĂ­vel municipal, o que indica que disputas em cidades pequenas e mĂ©dias sĂŁo especialmente vulnerĂĄveis Ă  violĂȘncia. Segundo os pesquisadores, conflitos por poder, cargos e controle de recursos pĂșblicos explicam quase metade das ocorrĂȘncias.

Enquanto os políticos são mais atacados em åreas urbanas, principalmente durante eleiçÔes municipais, os ativistas enfrentam maior risco em zonas rurais e florestais, onde aconteceram mais de 70% das mortes desse grupo. No Acre, esse cenårio dialoga com a realidade de municípios do interior e regiÔes de difícil acesso.

Outro dado preocupante é o uso de armas de fogo, responsåveis por 88% dos assassinatos registrados no estudo. Para os especialistas, esse tipo de crime indica açÔes planejadas, e não episódios impulsivos ou motivados apenas por conflitos pessoais.

A coordenadora do estudo, a professora Angela Alonso, explica que a pesquisa foi baseada na anĂĄlise de milhares de notĂ­cias publicadas ao longo de duas dĂ©cadas, com uso de tecnologia para filtrar e organizar os dados. O levantamento aponta que, apesar de oscilaçÔes ao longo dos governos, a violĂȘncia polĂ­tica segue sendo um problema estrutural no paĂ­s.

 

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