Moradores e comerciantes de áreas que concentram blocos do Carnaval de 2026 relatam que as ruas têm sido usadas como banheiro a céu aberto diante da escassez de estrutura pública. As informações são da Folha de S.Paulo, que ouviu residentes e trabalhadores de diferentes regiões da capital.
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A Prefeitura de São Paulo afirma ter promovido ajustes na operação da festa neste ano, sob a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), com o objetivo de “otimizar” o evento sem comprometer o padrão das edições anteriores. Segundo a administração municipal, estão previstas 16 mil diárias de banheiros químicos, número que pode ser ampliado conforme a demanda. A prefeitura também informou que a distribuição dos equipamentos foi definida após análises bloco a bloco feitas pela SPTuris.
Ainda assim, as queixas se repetem em vários pontos da cidade. Na região da Santa Cecília, uma empresária relatou ter encontrado fezes na calçada em frente ao próprio negócio, localizado em via que costuma ser fechada durante os desfiles de rua, o que dificulta a logística de funcionamento e abastecimento. “A gente precisa descarregar produtos, mas a rua fica bloqueada e não há acesso”, disse à reportagem.
Na Barra Funda, em ruas próximas ao Memorial da América Latina, moradores relataram cenas semelhantes, com pessoas urinando nas paredes e nas praças. Em alguns dias, segundo os entrevistados, não havia nenhum banheiro químico; em outros, apenas dois para atender a multidão.
Um zelador da região contou que, além do mau cheiro, o acúmulo de lixo piora o cenário, já que os caminhões de coleta não conseguem circular com as vias fechadas. A alternativa tem sido levar os resíduos até ruas vizinhas, o que, segundo ele, transfere para moradores e trabalhadores uma responsabilidade que deveria ser do poder público.
Situação parecida foi descrita em Perdizes, na zona oeste. Em um dos pontos de concentração, os poucos banheiros oferecidos ficaram em ruas adjacentes. Sem estrutura suficiente no local principal, foliões passaram a disputar os sanitários de bares e restaurantes, que ficaram sobrecarregados. “Falta estrutura. O bloco se organiza, conversa com moradores, mas não há limpeza efetiva nem banheiros suficientes”, afirmou um comerciante ouvido pela Folha.
Confusão toma conta de bloquinhos
As críticas à infraestrutura se somam ao episódio de confusão registrado no domingo (8), quando houve o encontro de dois megablocos: o Acadêmicos do Baixo Augusta e a estreia do DJ escocês Calvin Harris, em evento patrocinado pela Skol. Após o tumulto, a prefeitura chegou a restringir o acesso à região da Consolação, e a Polícia Militar de São Paulo orientou o público a evitar o local.
Mesmo com o episódio, o prefeito afirmou no dia seguinte que considerou o fim de semana um sucesso. Já o Ministério Público de São Paulo abriu investigação e recomendou que a prefeitura adote medidas de planejamento, controle e fiscalização mais rigorosas sobre o uso e a ocupação de áreas públicas durante o Carnaval de 2026.
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