Família de adolescente encontrada morta em casa, dizia que ela estava em “retiro espiritual”

Pai confessou que filha ficou presa por mais de dois meses dentro de casa

Por Redação ContilNet 26/02/2026

A versão de que a adolescente Marta Isabelle dos Santos Silva, de 16 anos, encontrada com sinais extremos de tortura, estaria participando de um “retiro espiritual” foi usada pela família para justificar o sumiço da jovem durante meses. No entanto, segundo a investigação, a menina era mantida em cárcere privado dentro da própria casa, em Porto Velho (RO), onde acabou morrendo com sinais extremos de tortura e desnutrição. As informações são do Metrópoles.

De acordo com a Polícia Militar de Rondônia (PMRO), vizinhos relataram que não viam Marta desde o período do Natal. Ao questionarem a família, recebiam a informação de que ela estava em um retiro. Não houve registro de boletim de ocorrência sobre desaparecimento.

A adolescente foi encontrada já sem vida sobre uma cama, coberta por um lençol, com múltiplos ferimentos pelo corpo. A perícia identificou indícios graves de tortura e apontou que, devido à gravidade das lesões, seria impossível que ela tivesse chegado andando ao local, como sustentado inicialmente pela madrasta.

Versões contraditórias

Ao chegarem à residência, os policiais ouviram da madrasta que a jovem estaria desaparecida há mais de dois meses e teria retornado sozinha, descalça e extremamente ferida. Ela afirmou que a adolescente recusou atendimento médico e que teriam sido feitos apenas cuidados caseiros.

A versão, porém, começou a ruir diante das evidências. No imóvel, foram encontradas grande quantidade de fraldas descartáveis parcialmente queimadas em uma fogueira na área externa, o que levantou suspeita de tentativa de ocultação de provas. A perícia também constatou lesões compatíveis com permanência prolongada deitada.

O pai da adolescente foi localizado posteriormente e confessou que a filha não estava desaparecida. Segundo a PM, ele admitiu que Marta havia fugido meses antes, mas foi trazida de volta e mantida presa por mais de dois meses.

“Ele a amarrava todas as noites à cama com fio elétrico, prendendo seus braços, e durante o dia a deixava trancada dentro da residência”, informou a corporação.

Sinais de tortura

O laudo preliminar apontou que Marta apresentava ossos expostos — incluindo fratura no braço e na região da clavícula —, lesão na perna com presença de larvas (miíase), feridas nas costas indicativas de imobilização prolongada, dente quebrado e sinais de desnutrição severa.

A morte foi constatada pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), e o corpo encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).

Diante dos indícios, pai, madrasta e avó foram presos por suspeita de tortura com resultado morte, cárcere privado, maus-tratos e omissão de socorro. A prisão em flagrante foi posteriormente convertida em preventiva pela Justiça. O caso segue sob investigação da Polícia Civil de Rondônia.

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