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Há dois anos, acreanos fugiam de presídio em Mossoró e causavam prejuízo de R$ 6 milhões

Por Matheus Mello, ContilNet

A dupla foi presa 50 dias de buscas/ Foto: Reprodução

No dia 14 de fevereiro de 2024, dois detentos do Acre ganharam repercussão nacional após fugirem do presídio federal de segurança máxima de Mossoró.

A força-tarefa para recapturar Deibson Cabral Nascimento e Rogério da Silva Mendonça durou 50 dias e, segundo dados do Ministério da Justiça, custou cerca de R$ 6 milhões aos cofres públicos.

Os recursos foram destinados a despesas com passagens, diárias, combustíveis, manutenção e operações aéreas. O painel do ministério também aponta que a maior parte dos gastos ficou com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), que recebeu aproximadamente R$ 3,3 milhões. Confira a divisão:

Polícia Rodoviária Federal (PRF) — R$ 3,3 milhões
Força Nacional — R$ 1,4 milhão
Polícia Federal (PF) — R$ 665 mil
Força Penal Nacional — R$ 625 mil

A operação coordenada pela Polícia Federal, com apoio da Polícia Rodoviária Federal, das polícias Civil e Militar e de outros órgãos de segurança, mobilizou cerca de 600 agentes.

Acreanos foram presos no Pará, 50 dias depois da fuga/Foto: Reprodução

Dois anos após o caso que levou o país a acompanhar, dia após dia, a busca pelos fugitivos, o ContilNet relembra como tudo aconteceu.

Nas investigações preliminares, os órgãos apontaram que os dois detentos começaram a fuga por volta das 3h da manhã do dia 14. Eles fugiram pelo teto das celas, arrancando uma estrutura metálica de alumínio e cabos de energia ligados à iluminação da cela.

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A penitenciária estava passando por uma reforma. E foi justamente com uma ferramenta utilizada nas obras que os dois detentos cortaram um alambrado e fugiram no pátio do presídio.

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Além disso, já está confirmado que os presos fizeram uma mistura de sabonete e papel higiênico e usaram como uma espécie de reboco para esconder os buracos nas paredes. O sabonete também foi usado para deixar o buraco mais escorregadio e facilitar a passagem deles.

A direção da penitenciária só deu conta da fuga dos dois, duas horas depois, por volta das 05h da manhã. Os dois tiveram seus nomes incluídos na difusão vermelha da Interpol.

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Desde 19 de fevereiro, homens da Força Nacional realizavam varreduras nas matas e, também, fecharam o cerco em rodovias com objetivo de impedir que Deibson Nascimento e Rogério Mendonça rompessem o perímetro das buscas no Rio Grande do Norte, o que aconteceu. A dupla foi encontrada no estado do Pará, no município de Marabá.

 

 

O dono da casa contou à polícia que foi surpreendido pela dupla no momento em que estava em casa em companhia da esposa/Foto: Reprodução

Os dois ficaram por sete dias na zona rural de Baraúna. De acordo com a polícia, os criminosos pagaram R$ 5 mil para ficar lá. Perto da casa, os investigadores descobriram, na época, um buraco, tipo um esconderijo, usado para evitar a detecção pelos drones que identificam calor humano. Junto com redes para dormir, os agentes também encontraram comida embalada, um facão e uma lona.

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Ainda em Baraúna, os acreanos passaram os primeiros dias como foragidos na casa de um casal rendido com a qual, sob ameaças, conseguiram abrigo por sete dias. O dono da casa contou à polícia que foi surpreendido pela dupla no momento em que estava em casa em companhia da esposa. O encontro deu-se na madrugada de 17 de fevereiro, já no quarto dia de buscas pelos bandidos. O homem detalhou que os dois arrombaram a porta, mas não machucaram a família. “Pediram para a gente ter calma e que não ia acontecer nada se fizéssemos o que eles pedissem”, disse.

Os dois se esconderam em buracos para escapar dos drones da PF/Foto: Reprodução

Além de outros 4 que estavam com os fugitivos durante a recaptura, outros 5 já haviam sido presos, suspeitos de ajudar a dupla externamente, entre eles, o irmão de um dos dois foragidos, que foi preso pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Acre.

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