Patrick Brito, hacker que denuncia policiais civis de São Paulo por invasão de dispositivos e suposto grampo ilegal, negocia um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal (MPF). O objetivo é fornecer detalhes sobre a atuação de agentes ligados ao delegado Carlos Henrique Cotait, em Araçatuba, durante supostas operações ilegais.
Foragido na Sérvia, Brito afirma ter sido cooptado para obter informações de investigados, incluindo o médico Franklin Cangussu, ligado ao ex-governador Márcio França (PSB). Segundo os documentos apresentados, ele teria recebido instruções da investigadora Cindy Orsi Nozu para invadir dispositivos e coletar dados usados em inquéritos. O hacker também relatou ter recebido pagamentos pela atuação, incluindo transferências bancárias de R$ 60 feitas pela investigadora a familiares de Brito.
Diversos procedimentos internos foram abertos nas corregedorias de Santos, Araçatuba e Iguape, resultando no afastamento de apenas um policial. Dois inquéritos foram instaurados pela 5ª Vara Federal de Santos em outubro de 2024 para apurar as denúncias. Em setembro de 2025, a procuradora Gabriela Saraiva Hossri afirmou que os documentos apresentados pelo hacker indicavam possível participação de outros policiais, solicitando perícias técnicas para verificação.
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Desde outubro, a defesa de Brito negocia os termos do acordo de delação com o MPF. Há intenção de incluir no acordo não apenas os fatos relacionados à Operação Raio-X, mas também supostos crimes anteriores cometidos pelos policiais. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) ainda não se manifestou sobre a colaboração premiada.
O delegado Carlos Henrique Cotait negou qualquer envolvimento, afirmando que as conversas com outros policiais seriam “montadas” e que nenhuma investigação comprovou irregularidades de sua parte. Brito, por sua vez, afirma que sua colaboração com a equipe do delegado começou após ser preso em 2021 por tentativa de extorsão do então prefeito de Araçatuba, Dilador Borges.
Procedimentos internos da Polícia Civil, instaurados em agosto de 2024, foram arquivados em setembro de 2025. Segundo o relatório final, as acusações de Brito não procediam, e a maior parte dos documentos apresentados, como prints de conversas e comprovantes de transferência, não foi analisada em profundidade. A apuração considerou que as mensagens trocadas entre Brito e integrantes da equipe do delegado não indicavam ilegalidade comprovada.
Atualmente, as negociações sobre a colaboração premiada seguem em andamento, sob sigilo, e não há confirmações sobre os próximos passos do hacker ou do MPF.
