Hospital universitário do Acre trava à espera de decisão de Gladson e MEC cobra definição

O Acre é o único estado brasileiro que ainda não conta com um hospital universitário

Ministro Camilo Santa cumpre agenda na Ufac
Ministro Camilo Santa cumpre agenda na Ufac/Foto: ContilNet

O projeto do Hospital Universitário da Universidade Federal do Acre, a Ufac, ainda não avançou e depende de uma definição do governo do Estado. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (25) pelo ministro da Educação, Camilo Santana, durante agenda na universidade, em Rio Branco.

O Acre é o único estado brasileiro que ainda não conta com um hospital universitário. Segundo o ministro, desde 2023 o governador Gladson Camelí teria se comprometido a doar uma unidade hospitalar do Estado para que o Ministério da Educação pudesse reformar, equipar e colocar o espaço em funcionamento como hospital de ensino.

De acordo com Camilo, o projeto está incluído no novo PAC e já há R$ 50 milhões reservados para a iniciativa. No entanto, o recurso segue aguardando uma definição formal do governo estadual.

“O mais caro de um hospital não é construir um hospital, é manter um hospital. Às vezes o custeio de um hospital equivale à construção dele. Se eu gasto 200 milhões para construir um hospital, para eu manter todo ano é 200 milhões de reais”, explicou o ministro.

LEIA TAMBÉM: À espera de ministro de Lula, servidores da Ufac ocupam reitoria e ameaçam greve

Ele ressaltou que os hospitais universitários integram a política federal de ampliação da rede de atendimento especializado, com foco na redução das filas do SUS. “Todos os nossos hospitais são SUS, além de ser hospital de ensino, de pesquisa, é um hospital que atende a população em alta complexidade”, afirmou.

Modelo já adotado em outros estados

Camilo citou exemplos de parcerias firmadas em outras unidades da federação. Em Roraima, segundo ele, o governo estadual doou um hospital que foi reformado pela União e já está em funcionamento. Em Rondônia, o prefeito da capital adquiriu um hospital privado, que será doado à universidade após os investimentos necessários do governo federal.

“No caso do Acre, desde 2023 o governador se comprometeu a doar esse hospital. Eu tenho cobrado isso dele. Nós mantemos uma boa relação. Aqui eu estou apenas dizendo que o atraso do hospital universitário é porque a gente está esperando”, declarou.

Segundo o ministro, a alternativa de construir um hospital do zero exigiria entre R$ 200 milhões e R$ 250 milhões, o que tornaria o processo mais demorado. Por isso, a estratégia inicial foi trabalhar com a doação de uma estrutura já existente, modelo considerado mais rápido.

“A gente colocou 50 milhões disponíveis do PAC para fazer as melhorias, as reformas, compra de equipamentos para apontar o hospital funcionar. Esse dinheiro está lá guardado”, disse.

Ele afirmou que pretende voltar a conversar com o governador para tentar definir a situação. “Se não há possibilidade, a gente vai construir outro caminho para que a gente possa viabilizar esse hospital aqui. A decisão do presidente Lula é que nenhum estado do Brasil deixe de ter um hospital universitário e o Acre é o último que falta.”

Relação institucional

Questionado se haveria algum desentendimento político em torno do tema, Camilo negou.

“Eu sempre procurei respeitar e preservar as relações institucionais. Para mim, a educação precisa estar acima de qualquer questão partidária ou ideológica”, afirmou.

O ministro lembrou que, em visitas anteriores ao Acre, o governador participou das agendas e reafirmou o compromisso com a doação da unidade. “Ele reafirmou esse compromisso na vinda do presidente no ano passado. Posteriormente eu liguei para ele, ele disse que ia viabilizar, então vamos aguardar”, disse.

Camilo ponderou que o governo estadual pode ter enfrentado dificuldades internas, inclusive na Assembleia Legislativa, mas reiterou que o MEC aguarda uma definição formal.

“É um sonho antigo da universidade, do curso de medicina daqui. Um hospital é fundamental para garantir a qualidade da prática dos nossos alunos de medicina e de todas as áreas da saúde”, destacou.

Segundo o ministro, a estrutura é estratégica tanto para a formação médica quanto para ampliar o atendimento de alta complexidade à população acreana pelo Sistema Único de Saúde.

PUBLICIDADE

Bloqueador de anuncios detectado

Por favor, considere apoiar nosso trabalho desativando a extensão de AdBlock em seu navegador ao acessar nosso site. Isso nos ajuda a continuar oferecendo conteúdo de qualidade gratuitamente.