Não dá para separar o “homem” do agressor quando todos os dias morrem 4 mulheres por feminicídio

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Atenção: a matéria a seguir traz relatos sensíveis de agressão e pode ocasionar gatilhos sobre estupro, violência contra a mulher e violência doméstica. Caso você seja vítima desse tipo de violência, ou conheça alguém que passe ou já tenha passado por isso, procure ajuda e denuncie. Ligue 180.

No Brasil, 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar em 2025, segundo o DataSenado. Ao menos quatro mulheres são vítimas de feminicídio todos os dias. Dados como esses chocam, mas será que geram indignação real? É preciso reeducar toda a sociedade para que o país não bata mais recordes de violência de gênero.

Nesta semana, um caso ganhou apelo público: o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) havia absolvido um homem de 35 anos acusado de estuprar uma criança de 12 anos. A mãe da menor permitia a relação e recebia cestas básicas do homem que abusava da filha. Ela também foi absolvida.

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Campanha contra violência à mulherDivulgação: SMDF
Crédito: Pexels
Prefeitura de SP investe em várias ações para combater violência contra as mulheresCrédito: Pexels
Episódios em destaque nos noticiários expõem diferentes camadas de violência contra a mulher (Foto: Reprodução Ilustrativa / Montagem)
Episódios em destaque nos noticiários expõem diferentes camadas de violência contra a mulher (Foto: Reprodução Ilustrativa / Montagem)
Créditos: Reprodução prefeitura.sp.gov.br | Reprodução Instagram @segurancaprefsp
Prefeitura de SP investe milhões para combater violência contra mulheresCréditos: Reprodução prefeitura.sp.gov.br | Reprodução Instagram @segurancaprefsp

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Após a mobilização nas redes sociais e protestos públicos, o desembargador Magid Nauef Láuar voltou atrás na decisão e manteve a condenação de nove anos e quatro meses de prisão por estupro de vulnerável. Também foi descoberto que o próprio magistrado possui três denúncias de assédio sexual.

Os fatos escancaram algo que já é mais do que notório: para ter justiça, a mulher precisa fazer barulho. Sem luta, a voz feminina não é ouvida, muito menos respeitada. Quando se trata de uma criança, os adultos que deveriam proteger e a Justiça, que deveria garantir seus direitos, preferem absolver o homem, sustentados por uma cultura que os protege de suas ações mais danosas.

No entanto, é preciso mudar a perspectiva da sociedade para que cenários como esses deixem de se repetir e meninas cresçam em um país mais seguro. Quando um homem famoso, como um cantor internacional com diversos casos de agressão contra mulheres, ainda mantém apelo público sob o argumento de que “é um bom artista”, confirma-se a lógica da impunidade.

Quando uma figura marcante de um reality show possui acusações de estupro — sendo condenado em uma, absolvido em outra e investigado em uma terceira e ainda assim mantém milhares de seguidores e defensores nas redes sociais, reforça-se a ideia de que o crime é relativizado, enquanto a violência sofrida pela vítima continua sendo perpetuada.

É preciso que haja cobrança por parte da população e repúdio a todos os casos que passam impunes, fortalecendo a rede de machismo que mata mulheres todos os dias. O discurso “ele fez, mas é um ‘bom funcionário’, ‘artista’, ‘gente boa’” não pode mais ser tolerado. Não dá mais para separar o “homem” do agressor, pois eles são um só.

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