A Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Acre (OAB/AC) emitiu, nesta terça-feira (17), uma nota oficial de repúdio e solidariedade em relação à denúncia de estupro coletivo envolvendo quatro jogadores da Associação Desportiva Vasco da Gama (Vasco-AC).
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O posicionamento ocorre no mesmo dia em que o treinador da equipe, Eric Rodrigues, questionou a robustez das provas e a legitimidade da denúncia.
No documento, assinado pela presidência e por comissões de defesa da mulher, a instituição manifestou “veemente solidariedade” às vítimas e classificou o episódio como um “ato de extrema violência”.
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Enquanto a defesa dos atletas, representada pelas falas do técnico Eric Rodrigues, argumenta que o sexo teria sido consensual e que a denúncia seria “frágil”, a OAB-AC adotou uma postura rígida sobre a gravidade do crime.
“A gravidade dos fatos noticiados exige apuração rigorosa e responsabilização exemplar, na forma da lei. Violência sexual é crime, constitui grave violação de direitos humanos e não pode ser relativizada sob qualquer argumento cultural, social ou esportivo”, afirma a nota da Ordem.
A Seccional relembrou o recente lançamento da campanha “Elas Jogam Junto”, que visa combater exatamente a violência doméstica e de gênero em ambientes de estádio e clubes. Segundo a nota, é “profundamente lamentável” que o futebol seja associado a tais episódios, reforçando que “esporte é celebração; violência é crime”.
Até o momento, quatro jogadores estão sob custódia: Erick Luiz Serpa Santos Oliveira, Matheus Silva, Brian Peixoto Henrique Iliziario e Alex Pires Júnior. A Polícia Civil mantém o caso sob sigilo através da Delegacia da Mulher (Deam).
A OAB garantiu que “permanecerá vigilante”, acompanhando o desenrolar das investigações para garantir que os direitos das mulheres sejam preservados e que “nenhuma vítima seja silenciada”.
ÍNTEGRA DA NOTA DA OAB-AC
NOTA DE REPÚDIO E SOLIDARIEDADE
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Acre, por meio da Comissão da Mulher Advogada e da Comissão de Combate à Violência Doméstica e Contra a Mulher, manifesta sua mais veemente solidariedade à mulher vítima de estupro coletivo supostamente praticado por alguns jogadores de futebol da capital, repudiando de forma categórica esse ato de extrema violência.
A gravidade dos fatos noticiados exige apuração rigorosa e responsabilização exemplar, na forma da lei. Violência sexual é crime, constitui grave violação de direitos humanos e não pode ser relativizada sob qualquer argumento cultural, social ou esportivo.
Recentemente, esta Seccional lançou a campanha “Elas Jogam Junto”, iniciativa destinada a levar aos estádios e ao ambiente esportivo a pauta do enfrentamento à violência doméstica e contra a mulher. Estudos apontam que, em dias de jogos, há aumento nos registros de violência doméstica — realidade que impõe atuação preventiva e posicionamento institucional firme.
É profundamente lamentável que o futebol, expressão legítima da cultura nacional e espaço de convivência social, seja associado a episódios de violência contra mulheres. Esporte é celebração; violência é crime.
A OAB Acre permanecerá vigilante, acompanhando os desdobramentos do caso e adotando as providências institucionais cabíveis, reafirmando seu compromisso com a defesa intransigente dos direitos das mulheres, para que nenhuma violência seja naturalizada e nenhuma vítima seja silenciada.
Rio Branco/AC, 17 de fevereiro de 2026.
Thaís Moura – Presidente da OAB/AC, em exercício
Ruth Barros – Presidente da Caixa de Assistência da OAB/AC
Caruline Simão – Presidente da Comissão da Mulher Advogada
Socorro Rodrigues – Presidente da Comissão de Combate à Violência Doméstica e Contra a Mulher


