Vídeo inédito mostra Jeffrey Epstein ironizando crimes

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Imagens recentemente divulgadas nos Estados Unidos mostram o bilionário Jeffrey Epstein, criminoso sexual condenado que morreu em 2019, sorrindo durante uma entrevista e reagindo com ironia ao ser questionado se se considerava “o demônio em pessoa”. “Tenho um bom espelho”, respondeu. O vídeo, com quase duas horas de duração, faz parte de um vasto conjunto de documentos liberados pelo Departamento de Justiça dos EUA e levanta novas discussões sobre a postura do financista diante das acusações que pesavam contra ele.

Não foi revelado quem conduziu a entrevista, nem quando ou em que circunstâncias a gravação foi feita. Ao longo do vídeo, Epstein responde a perguntas sobre sua reputação, sua fortuna e seus crimes. Em um dos trechos, ao ser provocado pelo entrevistador — que afirma que ele teria “todos os atributos” do diabo, incluindo inteligência e brilho — Epstein rebate: “O diabo é inteligente?”. Ao ouvir que “o diabo é brilhante”, mantém o tom provocativo.

Questionado se seu dinheiro era “sujo”, Epstein negou. “Não, não é. Eu ganhei esse dinheiro”, afirmou. O entrevistador então rebateu, dizendo que ele teria enriquecido aconselhando “as piores pessoas do mundo”. A resposta do financista foi evasiva: “Ética é sempre uma questão complexa”, antes de citar doações feitas, segundo ele, para ajudar a erradicar a poliomielite no Paquistão e na Índia.

Em outro momento, Epstein é perguntado se seria um “predador sexual de Classe Três”. Ele responde: “Nível 1… sou o mais baixo”. Ao ser questionado se ainda assim era um criminoso, concorda: “Sim”.

O vídeo é um dos milhões de arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça dos EUA na semana passada, na maior liberação de documentos desde que uma lei aprovada no ano passado passou a obrigar o acesso público a esse tipo de material. Ao todo, foram tornadas públicas cerca de três milhões de páginas, 180 mil imagens e 2 mil vídeos no fim de janeiro. Muitos dos arquivos ainda têm trechos censurados, o que, segundo a lei, só pode ocorrer para proteger vítimas ou informações sob investigação, com a exigência de que haja explicação sobre o que foi ocultado.

Jeffrey Epstein morreu em agosto de 2019 enquanto estava preso e aguardava julgamento por acusações de tráfico sexual. Em 2008, ele havia fechado um acordo judicial com promotores da Flórida após os pais de uma menina de 14 anos denunciarem abusos cometidos por ele em Palm Beach. Na época, fotos de meninas foram encontradas em sua residência, e Epstein foi condenado por aliciar uma menor para prostituição, sendo registrado como agressor sexual. O acordo lhe permitiu escapar de uma pena mais longa de prisão.

Os novos arquivos também detalham o período de Epstein na prisão, incluindo um laudo psicológico, além de registros sobre sua morte e a investigação envolvendo Ghislaine Maxwell, sua assistente, que acabou condenada por ajudá-lo a traficar menores de idade. Há ainda e-mails trocados entre Epstein e figuras proeminentes da elite, muitos deles com mais de uma década, que revelam a extensão de suas relações enquanto já enfrentava problemas com a Justiça.

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