A janela partidária abriu oficialmente na quarta-feira (4), e já começou movimentando o xadrez eleitoral no Acre. O período, que vai até 3 de abril, permite que deputados federais e estaduais troquem de partido sem risco de perder o mandato.
Na prática, é a chance que muitos aguardavam para ajustar o caminho rumo às eleições de 2026.
O primeiro a se mexer foi o deputado federal Eduardo Velloso. Sem espaço no União Brasil para disputar o Senado, ele oficializou a saída e se filiou ao Solidariedade logo no primeiro dia da janela. Foi o sinal de largada de um movimento que tende a se intensificar nas próximas semanas.
CONFIRA: Deputado Eduardo Velloso oficializa filiação ao Solidariedade durante janela partidária
Na Assembleia Legislativa, a situação do PSD também deve mudar. Os deputados Eduardo Ribeiro e Tio Pablo vivem um desgaste político com o senador Sérgio Petecão, que comanda a sigla no estado. Ainda não anunciaram destino, mas a saída dos dois é tratada como praticamente certa.
Outro partido que deve perder integrantes é o Republicanos. Dois dos três deputados estaduais da legenda devem deixar a sigla após a chegada do senador Alan Rick, que pretende disputar o governo do estado.
Os deputados Tadeu Hassem e Clodoaldo Rodrigues são aliados do governador Gladson Cameli e devem apoiar a candidatura da vice-governadora Mailza Assis ao governo. O caminho mais provável para os dois passa pelo Progressistas ou pelo Partido Liberal.
No caso de Tadeu, a aproximação com o Progressistas é considerada natural. A irmã dele, a ex-prefeita Fernanda Hassem, é filiada ao partido e deve disputar uma vaga na Câmara Federal.
Já Clodoaldo tem uma ponte direta com o PL. A esposa dele, Delcimar Leite, vice-prefeita de Cruzeiro do Sul, acabou de se filiar à legenda.
Outro deputado que deve aproveitar a janela é Adailton Cruz. Atualmente no Partido Socialista Brasileiro, ele tende a deixar a sigla porque o partido caminha para ter candidatura própria ao governo, com Thor Dantas. Adailton, por sua vez, deve apoiar Mailza e buscar abrigo em um partido de centro da base governista.
Há também quem queira trocar de legenda pensando em voos maiores. É o caso do deputado estadual Pedro Longo. Filiado ao Partido Democrático Trabalhista, ele já anunciou que será candidato a deputado federal. A avaliação é que o PDT não terá uma chapa competitiva para a Câmara, o que deve levar Longo a migrar para o Partido da Social Democracia Brasileira.
Na bancada federal, a movimentação também deve continuar. Depois de Eduardo Velloso, quem pode deixar o União Brasil é o deputado Coronel Ulysses.
Com a federação entre União Brasil e Progressistas concentrando seis das oito cadeiras do Acre na Câmara, a conta ficou apertada para quem tem mandato e pretende se reeleger. Ulysses avalia que há mais deputados do que espaço viável dentro da federação.
Por isso, o destino mais provável é o PL, partido ao qual ele tem afinidade política e proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A janela abriu, e em Brasília e no Acre a leitura é a mesma: nas próximas semanas, a política local deve assistir a uma intensa dança de partidos. Não necessariamente por convicção ideológica, mas pela matemática eleitoral que começa a se impor na corrida de 2026.

