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Bocalom não entra morno na disputa e quem subestima pode repetir erros do passado

Por Suene Almeida, ContilNet

A recente saída do PL e a necessidade de buscar abrigo em outra legenda não representam novidade na carreira do prefeito

A recente saída do PL e a necessidade de buscar abrigo em outra legenda não representam novidade na carreira do prefeito | Foto: Juan Diaz, ContilNet

O tabuleiro político do Acre começa a ganhar contornos mais definidos rumo às eleições estaduais, e alguns nomes já se consolidam como protagonistas naturais da disputa pelo Palácio Rio Branco. Além da vice-governadora Mailza Assis (PP) e do senador Alan Rick (Republicanos), o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, volta ao centro do debate político ao oficializar seu retorno ao PSDB e assumir, sem rodeios, o antigo, e nunca abandonado, sonho de governar o estado.

Engana-se, porém, quem acredita que Bocalom entrará como figurante ou candidato protocolar. Sua trajetória política mostra exatamente o contrário: resiliência eleitoral, capacidade de sobrevivência partidária e, principalmente, um eleitorado fiel construído ao longo de décadas.

Um filme político que já passou antes

A recente saída do PL e a necessidade de buscar abrigo em outra legenda não representam novidade na carreira do prefeito. Ao longo da vida pública, Bocalom já precisou mudar de partido mais de uma vez para manter projetos políticos vivos, situação que ele próprio reconhece.

“Eu infelizmente já é a quarta vez que sou obrigado a deixar o partido. Em 2024, que me pediram pra sair do partido, e eu tive que sair (…) o que me interessa é o povo”, afirmou durante coletiva nesta quinta-feira (19), após a filiação.

O retorno ao PSDB, portanto, não é apenas estratégico. É simbólico. Trata-se da volta ao partido onde construiu seus momentos eleitorais mais competitivos.

Quando fala em governo do estado, Bocalom inevitavelmente retorna a 2010, uma eleição que ainda serve de referência para medir sua força política.

Naquele pleito, Bocalom, carregando apenas o nome, pelo PSDB alcançou 49,18% dos votos válidos, perdendo para Tião Viana, que com o peso do apoio da máquina pública e do Governo Federal, venceu a disputa com 50,51%, diferença inferior a cinco mil votos.

Foi uma das disputas mais apertadas da história do Acre, e a prova concreta de que o prefeito já demonstrou capacidade real de competitividade estadual.

O discurso que estrutura alianças

Mais do que nostalgia política, o retorno ao PSDB vem acompanhado de um movimento claro: a construção de alianças em torno de sua pré-candidatura ao governo.

E aqui está o ponto central da estratégia. Bocalom não busca alianças amplas a qualquer custo, pelo menos no discurso público. Ele tenta estabelecer um eixo político baseado em identidade programática.

“Para fazer aliança a gente não faz pacto de qualquer jeito. Não estamos atrás daquela história de fazer negócios por fazer negócios. Vamos atrás daqueles que querem defender um projeto de desenvolvimento estadual.”

O prefeito insiste em uma narrativa que o acompanha desde Acrelândia: gestão austera, incentivo ao setor produtivo e combate ao desperdício de recursos públicos.

“Nunca mudei. Vou continuar defendendo o projeto produzir para empregar e não roubar o dinheiro. Quem estiver dentro dessa linha estará com a gente.”

Essa fala funciona como recado político direto: aliados serão escolhidos por alinhamento, não apenas por conveniência eleitoral.

Um candidato que não pode ser subestimado

No atual cenário, Mailza Assis carrega o peso da máquina estadual e Alan Rick possui recall eleitoral consolidado. Ainda assim, ignorar Bocalom pode ser um erro estratégico semelhante ao cometido por adversários em eleições passadas.

Ele não surge como novidade política, e justamente por isso representa risco real. Possui base eleitoral consolidada, discurso ideológico estável e histórico de votação expressiva fora da capital.

Se há algo que a política acreana já ensinou é que Bocalom raramente entra em disputas apenas para marcar presença.

Ele entra para competir, e, desta vez, tudo indica que não será diferente.

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