A Air France-KLM encerrou 2025 com o melhor desempenho de sua história no Brasil, impulsionada pela retomada do tráfego internacional, pela estabilidade recente do real e por uma demanda crescente por produtos premium.
Segundo Manuel Flahault, diretor-geral do grupo para a América do Sul, o país se consolidou como um dos mercados estratégicos da holding europeia e deve ganhar ainda mais relevância na operação global em 2026.
“O Brasil viveu um ano excepcional para nós. A ocupação nas cabines premium em 2025 foi a maior que já tivemos no país, vimos uma resposta muito forte”, afirmou Flahault durante coletiva de imprensa concedida nesta sexta-feira, em São Paulo. “Desde 2024, vimos um real mais estável. Há alguns meses, a moeda segue estável, e isso ajuda a previsibilidade, permitindo mais antecipação de viagens”, acrescentou.
O grupo opera hoje até 56 voos semanais a partir do Brasil, um crescimento de 44% em relação a 2023 – ano usado como base comparativa por apresentar uma normalização mais considerável pós-pandemia.
Considerando Air France e KLM, houve avanço de 17% no número total de assentos, sendo 26% de alta na Air France e 1% na KLM. O movimento reflete o apetite do brasileiro por viagens internacionais e também o interesse dos estrangeiros pelo país: mais de 40% dos passageiros transportados pelo grupo no Brasil são “inbound”, isto é, chegam ao país vindos do exterior.
“Temos um movimento muito grande de passageiros europeus e asiáticos vindo ao Brasil, especialmente no inverno europeu”, disse o executivo.
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Premiumização como motor de crescimentoA Air France-KLM tem apostado na expansão e na sofisticação de seus produtos premium como alavanca de crescimento global, e o Brasil está no centro dessa estratégia. Flahault explica que o movimento não é novo. “O foco no premium começou na pandemia. A demanda pelo premium está se desenvolvendo no Brasil. Antes, essa demanda era puxada por viagens de negócios. Hoje, o que cresce é a demanda pelo lazer e em todas as categorias, desde a premium economy até as classes mais exclusivas”, disse.
Segundo ele, a estratégia representa uma adaptação ao comportamento do consumidor. “É um posicionamento de adaptação da nossa oferta à demanda que estamos observando.” Flahault também citou a consistência de marca como elemento de sustentação: “Somos consistentes e temos legitimidade para falar com esse mercado, pensando nos nossos parceiros, na qualidade do nosso atendimento.”
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Em cenário de competição acirrada, inclusive com o avanço de rivais tradicionais na rota Europa-Brasil, o grupo diz manter participação. “A concorrência é um dia normal. Temos clientes, posicionamento, conhecimento, expertise que nos permitem adaptar a concorrência. Não é a primeira vez que a Latam opera voos para a Europa. Não somos os únicos, mas o que posso compartilhar é que estamos mantendo market share”, afirmou.
As aeronaves e serviços do grupo passam por atualização contínua. Na Air France, a experiência inclui Wi‑Fi de alta velocidade via Starlink, assentos totalmente reclináveis com a cama Sofitel MyBed na classe executiva e Apple TV disponível em todas as classes nos voos de longa distância. A companhia também prepara a chegada das suítes La Première até 2027, com menus assinados por Alain Ducasse e serviços de prioridade em solo. Já a KLM reforça seu posicionamento com a nova Business Class e a Premium Comfort Class, que oferecem assentos mais amplos e maior reclinação, além de Wi‑Fi gratuito e ilimitado em voos dentro da Europa.
A aposta vem acompanhada de investimento em frota. Hoje, 36% das aeronaves do grupo são de nova geração, ante 5% em 2019. A meta é chegar a 61% em 2028 e 81% em 2030, apoiada em um programa de R$ 18 bilhões em novas aeronaves — com menor consumo de combustível e menores emissões.
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Esse ecossistema é ampliado pelo programa de fidelidade Flying Blue, que já reúne 30 milhões de membros globalmente. No Brasil, a parceria com a Gol, prestes a completar 12 anos, amplia a capilaridade doméstica e as conexões para 67 destinos na Europa.
A Air France-KLM compartilhou planos de ampliar o número de voos e assentos em 2026, reforçando os hubs de Paris (CDG) e Amsterdã (AMS), por onde 33% dos brasileiros do grupo seguem em conexão para outros destinos.
Os objetivos sustentáveis e o SAFA Air France-KLM afirma manter a ambição de liderança no uso de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF), apesar de desafios de oferta e custo. O SAF (Sustainable Aviation Fuel) é um combustível de aviação produzido a partir de fontes renováveis — como óleos vegetais, resíduos agrícolas e gorduras de origem animal — e pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa entre 55% e 90% ao longo do ciclo de vida, a depender da matéria-prima e do processo.
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“Nossa ambição em ser líderes e pioneiros ainda está viva. O SAF ainda é um foco super estratégico (…) Temos mandatos, taxas e impostos na Europa que outras localidades não têm. A oferta de SAF ainda não está no nível que esperávamos. Isso faz com que ele tenha um custo muito maior do que prevíamos”, disse Flahault.
As metas ambientais da Air France-KLM incluem utilizar 10% de SAF em suas operações até 2030, além de manter o incentivo ao uso de biocombustíveis como parte da estratégia de transição energética.
Impactos da Guerra no IrãPerguntado sobre os impactos que a Guerra entre Estados Unidos e Israel e Irã tem sobre as operações da companhia, Flahault afirmou que as restrições impostas pelo conflito afetam a operação da companhia em diferentes espectros.
“Nossa prioridade hoje é resolver o que é urgente. Temos passageiros na região que estão longe de casa. O resto é totalmente incerto. O que sabemos é que o impacto é relevante. O conflito faz com que nossas aeronaves na Ásia tenham que fazer um desvio importante e isso tem custos. Também causa aumento nos preços dos combustíveis e de seguros. Só faz uma semana desde o início do conflito, então ainda é cedo, mas estamos monitorando a situação com muita atenção”, disse o executivo.
Voos da Air France-KLM para Dubai, Riad e Dammam estão suspensos até 10 de março. A companhia tem operado apenas voos de repatriação do Oriente Médio para a Europa na região.
