Césio-137 em Goiânia exige isolamento por trezentos anos

Rejeitos do Césio-137 em Goiás seguirão radioativos até o ano de 2287

O maior acidente radioativo em área urbana do mundo, ocorrido em Goiânia em 1987, continua sendo uma ferida aberta na história de Goiás. Com o lançamento da série Emergência Radioativa (Netflix) em 2026, a atenção se volta para o depósito definitivo em Abadia de Goiás.
CRCN-CO/CNEN

O maior acidente radioativo em área urbana do mundo, ocorrido em Goiânia em 1987, continua sendo uma ferida aberta na história de Goiás. Com o lançamento da série Emergência Radioativa (Netflix) em 2026, a atenção se volta para o depósito definitivo em Abadia de Goiás.

Segundo especialistas e o Governo de Goiás, as 6 mil toneladas de rejeitos armazenadas no local só atingirão níveis de radiação considerados seguros em cerca de 300 anos aproximadamente no ano de 2287.

A Ciência por trás do Tempo

O Césio-137 possui uma meia-vida física de aproximadamente 30,17 anos. Isso significa que, a cada três décadas, a radioatividade do material cai pela metade. Para que o material deixe de representar um risco biológico e ambiental, são necessários cerca de 10 ciclos de meia-vida, o que totaliza os três séculos de isolamento previstos.

O “Sarcófago” de Abadia de Goiás

Após anos de impasses e protestos na década de 80, o material contaminado  que inclui de roupas e móveis a pedaços de concreto das casas demolidas foi encapsulado em um aterro permanente inaugurado em 1997.

Com informações do Metrópoles.

  • Estrutura: O depósito conta com camadas de concreto armado e sistemas de proteção contra infiltração de água, para evitar que o Césio atinja o lençol freático.

  • Monitoramento: O Centro Regional de Ciências Nucleares do Centro-Oeste realiza medições constantes para garantir a integridade do isolamento.

Relembre a Tragédia

O acidente começou quando dois catadores encontraram uma cápsula de chumbo em uma clínica abandonada. Ao abrirem o objeto, encontraram um pó que brilhava com uma tonalidade azul intensa.

O encantamento com o brilho resultou na contaminação de 249 pessoas, das quais quatro morreram nos primeiros dias e centenas sofrem com sequelas até hoje.

A série da Netflix reacende o debate sobre a segurança nuclear e a memória das vítimas, reforçando que, embora o brilho azul tenha se apagado, a ameaça invisível ainda levará gerações para desaparecer por completo.

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