Coluna Maysa Bezerra: chamam de loucura até dar certo

Coluna Maysa Bezerra: Chamam de loucura até dar certo
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Existe um momento na vida em que continuar igual começa a doer mais do que mudar. Não é um estalo cinematográfico, nem uma epifania digna de filme. É mais silencioso. Mais íntimo. Um incômodo constante que sussurra: “isso já não faz sentido pra você”.

E então você começa a se mover.

Devagar, às vezes inseguro, quase sempre em dúvida. E é justamente aí que o mundo reage. Não com aplausos, mas com resistência. Surgem os comentários prontos, quase automáticos: “isso não vai dar certo”, “ninguém faz assim”, “é arriscado demais”. Curioso como o novo costuma ser recebido com desconfiança, como se o desconhecido fosse, por definição, errado.

Mas há uma verdade pouco confortável: tudo o que hoje parece óbvio, um dia foi questionado. Toda ideia que hoje é aceita já foi, antes, considerada exagero, erro ou a palavra preferida — loucura.

O problema não é o julgamento dos outros. É quando você começa a acreditar nele.

Porque mudar exige mais do que vontade. Exige sustentação. Exige continuar mesmo quando ninguém valida, quando os resultados ainda não aparecem, quando o caminho parece solitário demais. Exige confiar em algo que ainda não se materializou e isso não é fácil.

Ser diferente cobra um preço.

Mas permanecer onde você não cabe mais também cobra.

A questão é: qual preço você está disposto a pagar?

Há pessoas que escolhem a segurança de um roteiro já escrito. Outras decidem, com certo tremor nas mãos, escrever o próprio caminho. Nenhuma escolha é isenta de medo. A diferença é que uma delas, pelo menos, carrega verdade.

E talvez seja isso que estejam chamando de loucura.

Não é descontrole. Não é impulsividade. É lucidez demais para continuar aceitando padrões que já não fazem sentido. É coragem de romper com expectativas silenciosas, aquelas que ninguém te obriga diretamente mas que, ainda assim, moldam suas decisões.

É olhar para a própria vida e assumir a responsabilidade de transformá-la.

Se você anda se sentindo deslocado, questionando o que antes parecia certo, repensando escolhas e reconstruindo caminhos… isso não é perda de rumo. É início de consciência.

E consciência, quase sempre, incomoda antes de libertar.

No fim, o tempo tem um hábito interessante: ele reorganiza as narrativas. Aquilo que hoje parece estranho, amanhã pode se tornar referência. E quem foi chamado de louco, muitas vezes, passa a ser visto como alguém que apenas enxergou antes.

Talvez não seja sobre provar nada para ninguém.

Talvez seja só sobre não se abandonar no meio do caminho.

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