Uma pesquisa realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Acre (Fecomércio-AC) revelou que o mercado de trabalho em Rio Branco registrou retração no início de 2026. Segundo dados divulgados pela entidade, a capital acreana encerrou o mês de janeiro com saldo negativo de 892 postos de trabalho formais.
O levantamento buscou compreender a percepção dos empresários do setor comercial sobre as mudanças no mercado de trabalho local. Ao todo, 104 empresários de diferentes segmentos do comércio foram entrevistados.
De acordo com o estudo, 59% dos empresários afirmam que o cenário econômico tem impactado diretamente seus negócios. Entre os principais fatores apontados estão a inflação ainda presente no dia a dia da economia e a manutenção de juros elevados, o que dificulta a reposição de estoques, o cumprimento de compromissos com fornecedores e a abertura de novas vagas de emprego.
Outro ponto que preocupa o setor é o avanço da informalidade. Segundo a pesquisa, 68% dos empresários consideram que a concorrência com atividades informais prejudica o comércio formal. A avaliação é de que a carga tributária e os custos operacionais enfrentados por empresas formalizadas acabam reduzindo a competitividade em relação a negócios informais.
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A Fecomércio também identificou que os empresários têm buscado ampliar as oportunidades de contratação sem restrições rígidas. Cerca de 61,2% dos entrevistados afirmaram não ter preferência por gênero na contratação de novos funcionários.
O mesmo ocorre em relação à escolaridade e à idade. Para 57,3% dos empresários, a idade do candidato não é um fator determinante. Características como dedicação, comprometimento, capacidade de trabalhar em equipe, proatividade e dinamismo são apontadas como mais relevantes no momento da contratação.
Sobre os desligamentos ocorridos nos últimos meses, 69,9% dos empresários afirmaram que as saídas aconteceram por iniciativa do próprio trabalhador. Segundo os entrevistados, muitos profissionais acabam migrando para outras atividades, principalmente no setor de serviços ou na informalidade.
Mesmo diante do cenário considerado desafiador, a pesquisa aponta que o empresariado mantém certo nível de confiança no desempenho do comércio. 87,4% das empresas afirmam esperar aumento nas vendas ao longo do primeiro semestre deste ano.
Ainda assim, a entidade destaca que um dos fatores que mais preocupa o setor atualmente é o alto nível de endividamento das famílias, que atingiu o maior patamar da última década. O comprometimento da renda dos consumidores tende a reduzir o consumo e impactar diretamente as vendas no comércio local.
Com informações da Assessoria

