Celebrado em 4 de março, o Dia Mundial da Obesidade tem como objetivo ampliar a conscientização sobre uma das doenças crônicas que mais crescem no mundo.
Apesar dos avanços científicos, ainda é comum que pessoas com obesidade sejam julgadas como preguiçosas, desleixadas ou sem força de vontade. No entanto, a ciência já mostrou que a obesidade é uma doença multifatorial, influenciada por uma combinação de fatores biológicos, hormonais, ambientais e comportamentais.
Reduzir essa condição apenas à alimentação ou ao autocontrole não apenas é incorreto, como também dificulta o tratamento adequado.
Obesidade é uma doença crônica
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconhece a obesidade como uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, capaz de trazer impactos significativos à saúde.
Entre as condições associadas estão:
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diabetes tipo 2
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hipertensão
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doenças cardiovasculares
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apneia do sono
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inflamação crônica
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alterações hormonais
Por isso, o tratamento vai muito além de simplesmente “comer menos”.
Os fatores que influenciam o desenvolvimento da obesidade
A obesidade resulta da interação de diversos fatores, entre eles:
Genética
Algumas pessoas possuem predisposição genética que influencia o metabolismo, o armazenamento de gordura e a regulação da fome.
Hormônios e metabolismo
Hormônios como leptina, grelina, insulina e cortisol participam diretamente do controle do apetite, da saciedade e do gasto energético.
Ambiente alimentar
Vivemos em um ambiente com grande disponibilidade de alimentos ultraprocessados, altamente palatáveis e com alta densidade calórica.
Sono e estresse
Dormir mal e viver sob estresse constante altera hormônios que regulam a fome e favorece o ganho de peso.
Comportamento alimentar
Compulsão alimentar, restrição excessiva e relação emocional com a comida também podem contribuir para o desenvolvimento da obesidade.
O impacto do estigma no tratamento
Um dos maiores desafios enfrentados por pessoas com obesidade é o estigma social.
O preconceito pode levar a:
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vergonha de buscar ajuda
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piora da saúde mental
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abandono de tratamentos
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isolamento social
Combater esse estigma é fundamental para que o cuidado seja mais eficaz e humanizado.
Tratamento exige abordagem multidisciplinar
O tratamento da obesidade envolve uma combinação de estratégias, que podem incluir:
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reeducação alimentar
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atividade física regular
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acompanhamento psicológico
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melhora da qualidade do sono
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em alguns casos, medicamentos ou cirurgia bariátrica
Cada caso precisa ser avaliado de forma individual.
No Dia Mundial da Obesidade, a principal mensagem é clara: obesidade não é falta de disciplina.
É uma condição complexa, influenciada por diversos fatores biológicos e ambientais, que exige abordagem profissional, empatia e informação de qualidade.
Promover saúde passa também por combater preconceitos e compreender que cada organismo responde de forma diferente aos desafios metabólicos.
Referências
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Obesity and overweight. Geneva: WHO, 2023.
BLÜHER, M. Obesity: global epidemiology and pathogenesis. Nature Reviews Endocrinology, 2019.
HILL, J. O.; WYATT, H. R.; PETERS, J. C. Energy balance and obesity. Circulation, 2012.
MONTEIRO, C. A. et al. Ultra-processed foods and obesity. Public Health Nutrition, 2019.

Luana Diniz
Foto: Clara Lis
*COLUNA NUTRIÇÃO EM PAUTA / LUANA DINIZ NUTRICIONISTA – CRN7 16302
Nutricionista e atleta, formada pela Universidade Federal do Acre, pós-graduada em nutrição clínica esportiva. Trabalha com atendimento clínico nutricional em parceria com a loja de suplementos Be Strong Fitness e é colunista do ContilNet em assuntos sobre alimentação e sua correlação com saúde e bem-estar.
