Às vésperas de completar seis anos do primeiro caso de Covid-19 no Acre, registrado em 17 de março de 2020, o colunista social Vagno Di Paula relembrou, ao ContilNet, o período em que lutou pela própria vida durante a pandemia. Diagnosticado com o vírus após perceber a perda de paladar, ele passou mais de três semanas internado, parte desse tempo na UTI, enfrentando o medo constante de não sobreviver.
Até setembro de 2025, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde, o Acre havia registrado 174.977 casos, com 2.118 óbitos. Vagno conta que os primeiros sintomas da doença surgiram de forma aparente simples: durante um lanche, ele percebeu algo estranho.
“Percebi que não sentia gosto de nada. Foi aí que achei estranho. Fiz o exame e fui para casa. Dois dias depois recebi a mensagem com o resultado positivo. Ali começou o desespero”, contou.
Vagno lutou 22 dias contra a Covid-19. — Foto: Arquivo pessoal
Com comorbidades como obesidade e hipertensão, o diagnóstico trouxe um medo imediato. “Eu surtei. Eu achava que não ia sobreviver. Pensava o tempo todo: ‘eu não vou sobreviver’. Foi um desespero muito grande”, relembrou.
Sem plano de saúde, ele procurou atendimento médico e ficou inicialmente três dias internado na Unimed, antes de ser transferido para o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), onde continuou o tratamento.
“Foram dias de terror”
A fase mais difícil veio durante a internação. Ao todo, foram cerca de 22 dias lutando contra as complicações da Covid-19, período em que o colunista diz ter presenciado cenas que jamais esqueceu.
“Foram 21 dias de terror. Eu presenciei mortes ao meu lado. Pessoas morrendo ali, perto de mim. Era um momento em que não tinha vacina, não tinha nada. Era desesperador”, disse, contando, inclusive, que havia sido preparado pela equipe médica para ser intubado. “Eu chegava na antessala da UTI achando que aquele seria o momento. Mas sempre aparecia alguém que media minha saturação e ela melhorava um pouco. Eu chamo essas pessoas de anjos da guarda”, afirmou.
Mesmo sem precisar da intubação, ele precisou utilizar ventilação não invasiva, algo que também foi difícil devido à claustrofobia. “Eu sou claustrofóbico e aquela máscara de oxigênio me incomodava demais. Eu tive que tomar remédio para conseguir relaxar e usar. Era muito sofrimento”, relatou.
“Eu vi a morte”
Durante um dos momentos em que estava sedado, Vagno afirma ter vivido uma experiência que marcou profundamente sua memória. “Eu vi a morte. Eu corria numa colina tentando alcançar as nuvens, mas não conseguia chegar até elas. Era como se eu estivesse lutando para continuar vivo. Eu acredito que foi um momento espiritual. Para mim, Jesus me trouxe de volta”, contou.
A alta hospitalar veio em 24 de dezembro de 2020, uma data que ele diz ter marcado o renascimento de sua vida. “O primeiro sentimento que veio foi gratidão. Uma gratidão imensa por estar vivo. Porque eu sofri muito para chegar até ali”, afirmou, emocionado.
Sequelas e novo olhar sobre a vida
Mesmo após a recuperação, Vagno afirma que ainda convive com sequelas da doença, como taquicardia, dores nas pernas, ansiedade e crises de claustrofobia. Para lidar com os sintomas, ele precisou passar por fisioterapia e acompanhamento médico.
Apesar das dificuldades, ele diz que a experiência mudou completamente sua forma de enxergar a vida. “Hoje eu vejo a vida de outra maneira. Todos os dias são dias de felicidade. A gente precisa deixar as amarguras de lado e valorizar a família, os amigos e o fato de simplesmente estar vivo”, disse.
Para ele, sobreviver à doença é um lembrete diário sobre a importância da vida. “Estar vivo é uma glória. Depois de tudo que eu vivi, cada dia se tornou um presente”, concluiu.

