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Fóssil de 7,2 milhões de anos encontrado na Europa pode mudar teoria sobre origem da humanidade

Por Redação ContilNet

O fêmur de Graecopithecus sp, de Azmaka, Bulgária (à esquerda), em comparação com o de Lucy (Australopithecus afarensis) (ao centro) e o fêmur de um chimpanzé (à direita). O colo femoral (indicado em vermelho) é mais longo e aponta mais para cima nos ancestrais humanos Graecopithecus sp. e Australopithecus sp. do que no chimpanzé — Foto: Nikolai Spassov et al.

Uma descoberta feita nos Bálcãs está provocando debate entre cientistas sobre a origem da humanidade. Um fêmur com cerca de 7,2 milhões de anos, encontrado na Bulgária, pode pertencer a um dos primeiros ancestrais humanos e indica que a linhagem que daria origem ao gênero Homo pode ter surgido fora da África, na Eurásia. As informações são da Revista Galileu.

O fóssil foi escavado no sítio arqueológico de Azmaka, próximo à cidade de Chirpan, na Bulgária. A análise foi conduzida por uma equipe internacional de pesquisadores e publicada na revista científica Palaeodiversity and Palaeoenvironments.

Segundo os cientistas, o osso provavelmente pertence a um indivíduo do gênero Graecopithecus, um primata pré-histórico cuja relação com os ancestrais humanos vem sendo debatida desde 2017, quando fragmentos de mandíbula e dentes foram encontrados na Grécia.

O novo fóssil trouxe pistas importantes sobre a forma de locomoção do animal. O fêmur apresenta características associadas ao bipedalismo, como um colo femoral alongado e orientado para cima, além de marcas específicas de inserção muscular. Esses traços são semelhantes aos observados em ancestrais humanos e em espécies posteriores da linhagem.

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De acordo com o paleontólogo Nikolai Spassov, do Museu Nacional de História Natural da Bulgária, a estrutura do osso mostra semelhanças com fósseis de hominíneos bípedes. Os pesquisadores estimam que o animal fosse uma fêmea que pesava cerca de 24 quilos e vivia em uma região de savana próxima a rios.

Apesar disso, o primata não caminhava exatamente como os humanos atuais. O fêmur revela uma combinação de características típicas de grandes símios e de bípedes mais evoluídos, indicando que ele provavelmente alternava entre andar sobre duas e quatro patas, em uma fase intermediária da evolução.

Se confirmada, a descoberta pode alterar a linha do tempo da evolução humana. O antropólogo David Begun, da Universidade de Toronto, afirma que o fóssil pode representar o hominíneo mais antigo já identificado.

Atualmente, esse título costuma ser atribuído ao gênero Orrorin, encontrado no Quênia e datado de cerca de 7 milhões de anos.

Origem fora da África?

Caso o Graecopithecus seja confirmado como parte da linhagem humana, a descoberta pode sugerir que os primeiros hominíneos surgiram na Eurásia e só depois migraram para a África — continente que tradicionalmente é considerado o berço da humanidade.

Os pesquisadores acreditam que mudanças climáticas ocorridas entre 8 e 6 milhões de anos atrás, durante o final do período Mioceno, transformaram o ambiente do Mediterrâneo oriental. A redução das florestas e a expansão de áreas abertas podem ter favorecido adaptações à locomoção terrestre, incluindo o bipedalismo.

Nesse cenário, populações de primatas teriam migrado da Eurásia para a África, onde posteriormente surgiriam espécies mais conhecidas da linhagem humana, como os Australopithecus — grupo ao qual pertence o famoso fóssil “Lucy”.

Debate científico continua

Apesar do potencial impacto da descoberta, os próprios pesquisadores reconhecem que a hipótese ainda é controversa. A posição evolutiva do Graecopithecus na árvore da evolução humana ainda precisa ser confirmada por novas evidências fósseis.

Escavações continuam sendo realizadas na região dos Bálcãs, na tentativa de encontrar mais restos que possam ajudar os cientistas a entender melhor a biologia e o ambiente desse primata que pode estar entre os primeiros capítulos da história da humanidade.

Com informações da Revista Galileu

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