O Rio de Janeiro acompanha, na manhã desta segunda-feira (23), mais uma etapa decisiva do julgamento que apura a morte de Henry Borel, ocorrida em 2021. No banco dos réus, a mãe da criança, Monique Medeiros, e o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, enfrentam acusações de homicídio e tortura em um processo marcado por fortes embates técnicos e ataques entre as defesas.
O promotor Fábio Vieira abriu os trabalhos descartando categoricamente a tese de acidente doméstico. Segundo a acusação, o laudo pericial que aponta laceração no fígado é incompatível com uma queda simples. “Ficou muito claro que aquele menino foi agredido. Zero possibilidade de acidente”, afirmou Vieira. O advogado de Leniel Borel, Cristiano Rocha, reforçou o coro: “A ciência prova que Henry foi morto por Jairo”.
A Linha de Defesa de Jairinho
A defesa do ex-vereador tenta desviar o foco da agressão para uma possível queda ocorrida até 72 horas antes do óbito. O advogado Rodrigo Faucz questionou a profundidade das investigações sobre o cotidiano da criança. Além disso, a defesa levantou suspeitas sobre a integridade dos laudos do Instituto Médico Legal (IML), sugerindo que o pai de Henry, Leniel Borel, teria exercido “tráfico de influência” para direcionar o resultado das perícias.
A Postura de Monique Medeiros
Já a defesa de Monique Medeiros mantém a estratégia de isolar a responsabilidade em Jairinho. Os advogados sustentam que Monique vivia sob um regime de manipulação psicológica e que só compreendeu a gravidade dos fatos e a autoria do crime após ser detida. Ela nega qualquer omissão dolosa ou conhecimento prévio das supostas sessões de tortura contra o filho.
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Relembre o Caso
Henry Borel, de apenas 4 anos, morreu no dia 8 de março de 2021. Ele foi encontrado com múltiplas lesões no apartamento onde vivia com a mãe e o padrasto, em Jacarepaguá. O caso gerou tamanha indignação que motivou a sanção da Lei Henry Borel, que tornou mais rígidas as penas para crimes contra crianças e estabeleceu medidas protetivas semelhantes às da Lei Maria da Penha para menores.
Atualmente, Dr. Jairinho segue preso, enquanto Monique Medeiros aguarda o desfecho do julgamento em liberdade. O resultado deste júri é um dos mais esperados do país, simbolizando a luta contra a violência doméstica infantil.

