Pesquisa revela maioria das vĂ­timas de feminicĂ­dio entre mulheres negras segundo novo levantamento nacional

Estudo do FĂłrum Brasileiro de Segurança PĂșblica aponta que 62,6% das vĂ­timas entre 2021 e 2024 eram mulheres negras

Por Redação, ContilNet 06/03/2026 às 05:33

Um levantamento divulgado pelo FĂłrum Brasileiro de Segurança PĂșblica aponta que 62,6% das vĂ­timas de feminicĂ­dio registradas entre 2021 e 2024 eram mulheres negras. Os dados fazem parte da pesquisa Retrato dos FeminicĂ­dios no Brasil, elaborada a partir de registros oficiais de mortes classificadas como feminicĂ­dio em todo o paĂ­s.

De acordo com o estudo, 36,8% das vĂ­timas eram mulheres brancas, enquanto mulheres indĂ­genas e amarelas representam 0,3% dos casos registrados no perĂ­odo analisado.

A nota tĂ©cnica destaca que a predominĂąncia de vĂ­timas negras nĂŁo se explica apenas pela violĂȘncia de gĂȘnero isoladamente. Segundo o documento, os crimes ocorrem frequentemente em contextos marcados por vulnerabilidades sociais e econĂŽmicas, com menor acesso a serviços pĂșblicos de proteção e maior presença em territĂłrios com precariedade institucional.

Levantamento também indica crescimento de casos recentes e média de quatro mortes de mulheres por dia.

Levantamento também indica crescimento de casos recentes e média de quatro mortes de mulheres por dia/ Foto: Reprodução

O levantamento foi divulgado em referĂȘncia ao Dia Internacional da Mulher e reĂșne indicadores recentes sobre a violĂȘncia contra mulheres no paĂ­s.

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Dados mais recentes

Em 2025, o Brasil registrou 1.470 mulheres vĂ­timas de feminicĂ­dio, de acordo com informaçÔes do Sistema Nacional de InformaçÔes de Segurança PĂșblica, ligado ao MinistĂ©rio da Justiça e Segurança PĂșblica.

O nĂșmero representa uma mĂ©dia de quatro mulheres mortas por dia em razĂŁo da violĂȘncia de gĂȘnero.

A taxa nacional ficou em 0,69 morte a cada 100 mil habitantes, Ă­ndice semelhante ao registrado entre 2022 e 2024.

Os registros se concentram principalmente em estados mais populosos. Em nĂșmeros absolutos, SĂŁo Paulo liderou com 233 casos, seguido por Minas Gerais, com 139 ocorrĂȘncias.

Recorde recente

Dados de segurança pĂșblica tambĂ©m apontam que janeiro registrou recorde de feminicĂ­dios em SĂŁo Paulo desde o inĂ­cio da sĂ©rie histĂłrica, em 2018. Apenas no primeiro mĂȘs do ano foram contabilizados 27 casos.

Especialistas apontam que o enfrentamento do problema passa pela ampliação de polĂ­ticas pĂșblicas de proteção, alĂ©m de medidas de prevenção e combate Ă  violĂȘncia domĂ©stica.

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