Protagonismo do cooperativismo de crédito

Por Manfred Alfonso Dasenbrock, ContilNet 20/03/2026 Ă s 08:51

O cooperativismo de crĂ©dito no Brasil vive um bom ciclo de expansĂŁo — movimento que vai alĂ©m dos nĂșmeros e se reflete tambĂ©m na crescente presença do paĂ­s nos principais fĂłruns internacionais do setor. Nos Ășltimos 10 anos, o segmento viu seus ativos crescerem 5 vezes, de acordo com o Panorama do Sistema Nacional de CrĂ©dito Cooperativo (SNCC), elaborado pelo Banco Central, e vem se consolidando como alternativa robusta em um mercado financeiro historicamente centralizado. Esse protagonismo nacional se projeta, ano apĂłs ano, no cenĂĄrio global, especialmente por meio da participação brasileira na ConferĂȘncia Mundial das Cooperativas de CrĂ©dito (WCUC), que em 2026 serĂĄ realizada em Sydney, na AustrĂĄlia, entre os dias 19 e 22 de julho, e jĂĄ estĂĄ com as inscriçÔes abertas.

O crescimento expressivo do modelo de crédito cooperativo se consolida por meio de um olhar diferente para as necessidades financeiras das pessoas, equilibrando relacionamento próximo e solidez. Em 2024, o volume de ativos das cooperativas de crédito registrou alta de 21,1%, enquanto as captaçÔes apresentaram avanço de 21,7%, segundo o Panorama do SNCC. O levantamento ressalta a relevùncia do setor no financiamento de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) e sua função estratégica na interiorização bancåria, levando dignidade financeira para diferentes regiÔes do Brasil atendidas especificamente por cooperativas de crédito.

Em um país de dimensÔes continentais, as cooperativas souberam entregar soluçÔes financeiras completas e, acima de tudo, relevantes para as realidades locais, tendo, como exemplo, o apoio ao pequeno produtor rural e o fomento de empresas de médio porte. Esse momento de sucesso é sustentado por uma estrutura regulatória forte e investimentos contínuos em tecnologia e profissionalização, provando que resultados sólidos e impacto social podem, sim, caminhar juntos.

ConexĂŁo global como diferencial estratĂ©gico – Para manter esse ritmo de evolução e sustentar o crescimento consistente do cooperativismo de crĂ©dito, o intercĂąmbio internacional tem se mostrado fundamental. O engajamento com o Conselho Mundial das Cooperativas de CrĂ©dito (WOCCU), considerada a principal entidade mundial do setor, permite que o Brasil antecipe tendĂȘncias e aprimore sua gestĂŁo de riscos e inovação. Ao participar ativamente desse ecossistema global, o cooperativismo brasileiro absorve padrĂ”es internacionais de sustentabilidade e inclusĂŁo, ao mesmo tempo em que fortalece sua voz e influĂȘncia nos debates estratĂ©gicos do setor.

O destaque brasileiro no cenĂĄrio global do cooperativismo atingiu novo patamar em 2025. Durante a ConferĂȘncia Mundial na SuĂ©cia, o paĂ­s enviou a maior delegação do evento, com mais de 300 lideranças entre os 2 mil participantes de 60 naçÔes. Para a WCUC 2026, em Sydney, o objetivo Ă© consolidar essa influĂȘncia, reafirmando a disposição do Brasil em liderar as principais agendas e discussĂ”es do mercado financeiro cooperativo internacional.

Momentos como esse sĂŁo essenciais para valorizar iniciativas como a Rede Global de Jovens Profissionais (WYCUP) e a Rede Global de Lideranças Femininas (GWLN). SĂŁo elas que fomentam o futuro e a representatividade dentro do movimento e que compĂ”em parte da programação do evento, alĂ©m de serem temas que reverberam ao longo de todo o ano em instituiçÔes cooperativas, como Ă© o exemplo do Sicredi, que conta hoje com ComitĂȘ Mulher e o ComitĂȘ Jovem, iniciativas diretamente conectadas com os movimentos internacionais promovidos pelo Woccu.

Chamado Ă s lideranças – A participação dos dirigentes cooperativos brasileiros na WCUC 2026 Ă©, portanto, extensĂŁo natural desse ciclo virtuoso de crescimento. Mais do que oportunidade de aprendizado, trata-se de um investimento direto no fortalecimento das lideranças e no alinhamento estratĂ©gico das cooperativas brasileiras com o que hĂĄ de mais avançado no mundo.

O futuro do cooperativismo Ă©, invariavelmente, global e colaborativo. O crescimento observado no Brasil mostra que esse modelo estĂĄ preparado para ocupar papel ainda mais relevante no cenĂĄrio internacional.

*Manfred Alfonso Dasenbrock é diretor do Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito (Woccu) e da Fundação Woccu e Presidente da Central Sicredi PR/SP/RJ

 

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