O Acre conquistou um dos melhores desempenhos do país no comércio varejista ao registrar alta de 8,1% em fevereiro de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado. O resultado é o segundo maior entre as unidades da federação, ficando atrás apenas de Pernambuco (10,1%) e bem à frente do Distrito Federal (4,8%), que aparece na terceira posição, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O dado ganha ainda mais relevância quando comparado ao cenário nacional: no Brasil, o crescimento foi de apenas 0,2% na mesma base de comparação. Ou seja, o ritmo de expansão do Acre foi mais de 40 vezes superior à média do país, evidenciando um desempenho fora da curva.
No recorte mais amplo da pesquisa, que inclui setores como veículos e materiais de construção, o estado também manteve fôlego. O chamado varejo ampliado cresceu 6,0% no Acre, enquanto o Brasil registrou retração de 2,2%, puxada principalmente pelas quedas nas vendas de veículos (-7,8%) e materiais de construção (-8,5%).
LEIA TAMBÉM: Concurso IBGE temporários inicia processo de contratação da banca; confira cronograma
Esse contraste indica que, enquanto o consumo nacional ainda enfrenta limitações, sobretudo em segmentos mais dependentes de crédito, o Acre tem conseguido sustentar dinamismo mesmo em áreas mais sensíveis da economia.
No cenário geral do país, o crescimento do varejo foi puxado principalmente por setores essenciais. Supermercados e hipermercados avançaram 1,5% na comparação anual e foram os principais responsáveis por segurar o resultado positivo. O setor farmacêutico também manteve trajetória consistente, com alta de 2,1% e mais de três anos seguidos de crescimento.
Por outro lado, segmentos ligados ao consumo discricionário continuam pressionados. É o caso de tecidos, vestuário e calçados, que caíram 5,0%, além de outros artigos de uso pessoal e doméstico (-5,3%) e livros, jornais e papelaria (-4,1%).
O levantamento mostra ainda que o avanço do varejo não foi homogêneo no país. Das 27 unidades da federação, 16 registraram crescimento, enquanto 11 tiveram queda. Entre os piores desempenhos estão Amazonas (-7,2%), Pará (-5,3%) e Espírito Santo (-4,7%).
Nesse cenário desigual, o Acre se destaca pela intensidade do crescimento e consistência também no varejo ampliado, um indicativo de que o aquecimento do consumo no estado vai além dos itens básicos e alcança outros segmentos da economia.

