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Acre tem queda na dengue, mas baixa vacinação mantém estado em alerta

Por Redação ContilNet

Foram registrados 1.171 casos prováveis de dengue, sendo 689 confirmados/Foto: Reprodução

O Acre não registrou casos graves de dengue nos primeiros meses de 2026, de acordo com o último boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre), divulgado na semana passada.

Da semana epidemiológica 1 até a 14, foram registrados 1.171 casos prováveis de dengue, dos quais 689 foram confirmados (58,8%). O Acre também não registrou óbitos nesse período.

No ano passado, no mesmo período, foram notificados 6.161 casos prováveis, sendo 5.624 confirmados. Isso significa que 91,3% dos casos prováveis foram confirmados, “evidenciando elevada taxa de confirmação e intensa circulação viral no período analisado”, de acordo com o boletim.

“Nos registros das primeiras semanas epidemiológicas, comparando os dados de 2026 e 2025, observa-se uma redução de 81% no número de casos prováveis no ano corrente e de 87,75% nos casos confirmados de dengue. O comportamento da dengue nesses primeiros dias do ano subsidia o monitoramento contínuo do cenário epidemiológico, orientando a adoção de medidas oportunas de vigilância, prevenção e controle em âmbito estadual e municipal”, acrescentou.

A maioria dos casos notificados foi comprovada por meio de critério laboratorial. “Por outro lado, 196 casos (28%) foram confirmados pelo critério clínico-epidemiológico, metodologia utilizada em situações específicas, como em áreas com transmissão comprovada ou diante de limitações na realização de exames laboratoriais”, destaca o documento.

“O ano de 2025 apresentou um perfil epidêmico clássico, com rápida ascensão e pico precoce”, salientou.

Regionais do Acre

No período analisado, a regional do Baixo Acre teve o maior número de casos confirmados: 442. Destacam-se os municípios de Rio Branco, com 308 casos confirmados, e Sena Madureira, com 14 casos, ambos com predominância de confirmação laboratorial.

Na Regional do Juruá/Tarauacá-Envira, foram registrados 205 casos confirmados. O município de Tarauacá não registrou nenhum caso. Na Regional do Alto Acre, foram registrados 42 casos confirmados, sendo Epitaciolândia o município com o maior número de casos, seguido de Xapuri.

Cobertura Vacinal

A análise da cobertura vacinal contra a dengue nos municípios evidencia um cenário ainda heterogêneo, com avanços pontuais, porém aquém das metas estabelecidas na maioria das localidades. Observa-se melhor desempenho na aplicação da 1ª dose em municípios como Acrelândia (65,23%), Jordão (64,49%) e Santa Rosa do Purus (53,46%), enquanto localidades como Porto Acre (16,32%), Tarauacá (21,07%) e Bujari (22,75%) apresentam baixas coberturas.

Em relação à 2ª dose, as coberturas permanecem significativamente inferiores, com destaque para Acrelândia (37,19%), Jordão (34,72%) e Manoel Urbano (31,13%). A maioria dos municípios apresenta índices abaixo de 25%, evidenciando dificuldade na adesão ao esquema completo. Municípios como Tarauacá (6,53%), Porto Acre (7,71%) e Cruzeiro do Sul (8,04%) apresentam os menores percentuais.

“Diante desse cenário, reforça-se a necessidade de intensificação das estratégias de vacinação, com foco na ampliação do acesso, busca ativa de faltosos e ações de educação em saúde, visando melhorar a adesão da população e garantir maior proteção contra a dengue”, pontuou o boletim.

“Diante desse cenário, reforça-se a necessidade de intensificação das estratégias de vacinação, com foco na ampliação do acesso, busca ativa de faltosos e ações de educação em saúde, visando melhorar a adesão da população e garantir maior proteção contra a dengue”, pontuou o boletim.

Circulação de sorotipos

Apesar de no Brasil circularem os quatro sorotipos do vírus da dengue — DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4 —, em 2026, até a Semana Epidemiológica 14, foram confirmados apenas casos associados ao sorotipo DENV-1.

No estado do Acre, os laboratórios da rede pública identificaram, até o momento, a circulação dos sorotipos DENV-1 e DENV-2.

Entretanto, há risco iminente de reintrodução do sorotipo DENV-3, considerando sua atual circulação no estado de Rondônia, o que reforça a necessidade de vigilância
epidemiológica e laboratorial contínua.

É importante ressaltar que qualquer um deles pode causar sintomas leves, até quadros mais graves aos pacientes infectados, levando, inclusive, à ocorrência de óbitos.

“Essa situação evidencia a necessidade de vigilância contínua, ações preventivas e manejo clínico adequado para os doentes”, concluiu o boletim.

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