Mesmo após enfrentar uma das piores secas da história recente, o Acre pode voltar a viver um cenário crítico nos próximos meses. Especialistas alertam que um novo episódio do fenômeno El Niño pode intensificar ainda mais o calor e a falta de chuvas, principalmente na região Norte do Brasil.
De acordo com o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, existe mais de 80% de chance de o fenômeno se formar no segundo semestre de 2026. A previsão acende um sinal de alerta para eventos extremos, como estiagens prolongadas e impactos no abastecimento de água e na produção de alimentos.
O El Niño acontece quando as águas do Oceano Pacífico ficam mais quentes do que o normal. Essa mudança interfere nos ventos e no clima em várias partes do mundo. No Brasil, o efeito costuma ser desigual: enquanto o Sul registra chuvas intensas, o Norte e o Nordeste tendem a enfrentar períodos mais secos.
Esse cenário preocupa especialmente o Acre, que em 2024 sofreu com estiagem histórica. Naquele ano, o estado registrou níveis extremamente baixos nos rios, aumento de queimadas e dificuldades no transporte de comunidades isoladas. Em Rio Branco, o Rio Acre chegou a apenas 1,23 metro, o menor nível já registrado desde o início do monitoramento.
Diante da possibilidade de uma nova seca severa, a prefeitura da capital já começou a se preparar. O prefeito Alysson Bestene afirmou que equipes da Defesa Civil e outros órgãos foram acionadas para montar um plano de contingência.
Segundo ele, a prioridade será garantir o abastecimento de água, principalmente nas áreas mais vulneráveis. A gestão também pretende antecipar ações para evitar que a população sofra com a falta de recursos básicos durante o período mais seco do ano.

