A oitiva dos acusados de assassinarem o advogado e colunista Moisés Alencastro foi adiada para a próxima sexta-feira (24), às 8h30. Essa será a primeira vez que a dupla, presa no dia 25 de dezembro na capital, será ouvida pela Justiça.
Antônio de Sousa Morais, de 22 anos, e Nataniel Oliveira de Lima, de 23, seriam ouvidos na sexta-feira passada (17), mas a audiência foi remarcada para esta sexta-feira, às 8h30, e será conduzida pelo juiz Alesson Braz, da 2ª Vara do Tribunal do Júri e Auditoria Militar da Comarca de Rio Branco.
Nesta audiência, que contará com a presença do Ministério Público do Acre (MPAC), representado pelo promotor Teotônio Rodrigues Soares Júnior, os acusados serão ouvidos, o órgão ministerial fará a acusação e as defesas apresentarão suas alegações finais, não necessariamente nessa ordem.
Após essa etapa, o juiz decidirá se ambos irão ou não a Júri Popular. A decisão pode ser tomada ao fim da audiência ou alguns dias depois, a depender da forma como serão apresentadas as alegações da defesa.
A primeira etapa da audiência de instrução ocorreu no início da semana passada, com a oitiva das testemunhas.
De acordo com informações coletadas pelo ContilNet, a oitiva da próxima sexta-feira não será pública e, portanto, não contará com a presença da imprensa. Parte das informações relacionadas ao caso segue em segredo de Justiça.
Morte de Moisés
Moisés foi encontrado morto dentro do próprio apartamento, no bairro Morada do Sol, no dia 22 de dezembro.
O corpo estava deitado sobre a cama e apresentava quatro perfurações causadas por faca, de acordo com o laudo cadavérico da Polícia Civil.

Corpo de Moisés foi encontrado morto por amigos, dentro do seu apartamento/Foto: Reprodução
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) esteve no local e confirmou a morte. Em seguida, a área foi isolada pela Polícia Militar para os procedimentos de praxe. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), enquanto as investigações ficaram sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Segundo a Polícia Civil, o estado do corpo indicava rigidez cadavérica compatível com um intervalo de aproximadamente 18 a 20 horas desde o óbito, no momento em que foi localizado. Com base nessa análise, a principal hipótese é de que o crime tenha ocorrido na noite de domingo (21).
Moisés teria sido visto pela última vez justamente nesse dia. Diante da ausência de notícias, amigos e conhecidos passaram a estranhar o sumiço e iniciaram buscas por informações sobre o paradeiro dele.
Diante do desaparecimento e da falta de respostas, o Ministério Público do Acre (MP-AC) foi acionado por amigos de Moisés. Um dos indícios que chamou atenção foi o sinal de localização do celular, compartilhado com uma amiga, que apontava para o bairro Eldorado.
Com a situação considerada suspeita, o MP autorizou a entrada forçada no apartamento. No interior do imóvel, o corpo acabou sendo encontrado.
Durante as investigações, equipes policiais também localizaram o veículo da vítima na Estrada do Quixadá, no bairro São Francisco, com o pneu estourado e o porta-malas aberto. Ao longo das diligências, foram apreendidos com os suspeitos itens ligados a Moisés, incluindo documentos pessoais, controles do carro e do apartamento, além de peças de roupa com marcas de sangue.
Inquérito da Polícia Civil, denúncia do MPAC e dupla tornada ré
Após a conclusão do inquérito pela Polícia Civil, a dupla foi indiciada pelos crimes de homicídio qualificado e furto qualificado. Em seguida, ambos foram denunciados pelo Ministério Público do Acre (MP-AC) em janeiro deste ano. O órgão afirmou que o “motivo torpe” descrito na denúncia está ligado à homofobia.
Ainda em janeiro, a Justiça aceitou a denúncia do MPAC e tornou os dois réus pelos mesmos crimes apontados no inquérito da Polícia Civil.

Carro de Moisés Alencastro/Foto: Reprodução
Defesa nega que houve homofobia
A defesa de Antônio Moraes — com quem Moisés mantinha uma relação de pelo menos dois anos — alega que não houve crime de homofobia no caso.
Em entrevista ao jornalista Willamis Franca, do site Notícias da Hora, o advogado do acusado, Valber Fontenele, disse que o tempo de relação entre os dois é o motivo pelo qual não há como imputar crime de homofobia ao réu.
“Como imputar um crime de homofobia a alguém que se relacionava com a vítima há anos? Eles se aproximaram justamente pela orientação sexual do Moisés. Não há lógica em afirmar que o crime foi movido por ódio ou preconceito”, argumentou.
A defesa sustenta ainda que não houve premeditação nem deslocamento com a intenção de cometer o crime.
“Foi uma situação pontual, fruto de uma discussão. Não houve ódio, não houve homofobia. Eles não saíram de casa com o propósito de matar. Os acontecimentos se desenrolaram ali, naquele momento”, concluiu.





