Teve início nesta segunda-feira (13) uma das etapas mais importantes do processo que apura o assassinato do ativista cultural Moisés Ferreira de Alencastro, de 59 anos, morto em dezembro do ano passado, em Rio Branco. A audiência de instrução e julgamento reúne depoimentos considerados decisivos para o andamento da ação penal.
O ContilNet checou que neste primeiro dia, foram ouvidas sete testemunhas, sendo duas indicadas pela defesa e cinco pelo Ministério Público, embora duas destas últimas tenham sido retiradas ao longo da sessão. A fase é voltada à coleta de provas orais, com o objetivo de esclarecer as circunstâncias do crime e subsidiar a decisão judicial sobre o prosseguimento do caso.
O interrogatório dos réus, Antônio de Sousa Morais e Nataniel Oliveira de Lima, foi marcado para a próxima sexta-feira (17). Ambos respondem à Justiça após a denúncia do Ministério Público ter sido aceita pelo juiz Alesson Braz, da 2ª Vara do Tribunal do Júri e Auditoria Militar. A decisão teve como base investigações conduzidas pela Polícia Civil, por meio da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
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De acordo com o inquérito policial, concluído ainda em dezembro, os dois foram indiciados por homicídio qualificado e furto. Além da morte de Moisés, eles são apontados como responsáveis por subtrair bens da vítima, incluindo o carro e o celular.
A acusação atribui ao crime agravantes como motivo torpe, emprego de meio cruel e uso de recursos que teriam dificultado a defesa da vítima. Esses elementos podem influenciar diretamente na eventual condenação, caso os réus sejam levados a júri popular.
A audiência de instrução é considerada uma fase central do processo, pois antecede a decisão sobre a pronúncia dos acusados, etapa em que o juiz define se há elementos suficientes para que o caso seja julgado pelo Tribunal do Júri.
Entenda o caso
Moisés Alencastro era conhecido por sua atuação como ativista cultural, colunista social, advogado e servidor do Ministério Público do Acre desde 2006. Ele foi encontrado morto no dia 22 de dezembro. O carro da vítima foi localizado abandonado na Estrada do Quixadá, na zona rural de Rio Branco.
Antônio de Sousa Morais foi preso na manhã do dia 25 de dezembro, após permanecer foragido desde a descoberta do corpo, localizado em um apartamento no bairro Morada do Sol. No mesmo dia, no período da tarde, Nataniel Oliveira de Lima foi detido no bairro Eldorado.
Segundo a Polícia Civil, ambos confessaram o crime durante depoimento. Após passarem por audiência de custódia, no dia 26 de dezembro, tiveram as prisões mantidas pela Justiça e foram encaminhados ao Complexo Prisional de Rio Branco, onde permanecem à disposição do Judiciário


