Nos últimos 15 anos, a China vem se consolidando como o principal parceiro comercial do Brasil, sendo o destino número um das exportações brasileiras e representando, em média, 41% do superávit comercial.
A China expande cada vez mais sua influência econômica no Brasil. Até 2032, empresas chinesas preveem um investimento de mais de 27 bilhões de reais no país, voltados principalmente para projetos de infraestrutura, a fim de facilitar ainda mais o acesso aos produtos do setor primário nacional.
Entre os projetos, está a construção do corredor ferroviário bioceânico Brasil–Peru, que irá conectar o Atlântico ao Pacífico. O megaprojeto, assinado em setembro de 2025 pelos governos do Brasil e da China, visa construir um trajeto ferroviário que liga portos da costa brasileira, como Barcarena (PA), Ilhéus (BA), Porto do Açu (RJ) e Rio Grande (RS), ao porto de Chancay, no Peru.
Essa nova rota, executada pela Infra S.A., vinculada ao Ministério dos Transportes, e pela China Railway Economic and Planning Research Institute, irá integrar o país e facilitar o acesso logístico dos produtos brasileiros ao mercado chinês, permitindo que a produção de grãos, carne bovina e minérios seja embarcada diretamente para o porto no Pacífico, diminuindo o tempo e os custos de transporte até a China.
Parte do trajeto da ferrovia passará pelo Acre. Por fazer fronteira com o Peru, estudos indicam que a porção sul do estado será cortada pela nova rota. Isso fará com que o estado acreano passe a ser uma grande rota comercial integradora entre o leste e o oeste da América do Sul, deixando de ser um “fim” e passando a se tornar um “meio”.

Uma das discussões que envolve o trajeto é a barreira geográfica existente no caminho: a Cordilheira dos Andes. Isso demanda estudos preliminares sobre a construção de um túnel de aproximadamente 500 km na base da cordilheira para contornar os desafios geográficos, o que, se de fato se concretizar, será mais uma obra astronômica da engenharia chinesa.
O projeto é revolucionário para a economia da América do Sul como um todo, e um dos estados mais beneficiados seria o Acre, pois receberia fortes investimentos chineses, concentraria suas exportações no Pacífico, facilitaria seu processo de importação e passaria a integrar uma nova e importante rota comercial para o Brasil.
*Cleyton Aguiar possui Mestrado em Geografia pela Universidade Federal do Acre, com linha de pesquisa na análise da dinâmica socioambiental, atua como professor da rede estadual de ensino desde 2020. Já atuou no ensino superior (professor substituto na Universidade Federal do Acre) e em cursos preparatórios para o ENEM e concursos públicos.
Possui uma página no Instagram chamada Geografia Hoje (@geografia.hoje), onde divulga conteúdos relacionados ao ensino de Geografia, questões geopolíticas e atualidades.

