Início / Versão completa
Wania Pinheiro

Eleição 2026: o antipetismo segue vivo, mas o antibolsonarismo também

Por Wania Pinheiro, ContilNet 24/04/2026 07:12 Atualizado em 24/04/2026 10:38
Publicidade

Nos corredores de Brasília, a eleição presidencial de 2026 já deixou de ser apenas uma disputa eleitoral para se transformar em uma guerra de poder, influência e sobrevivência política. O que se vê hoje é um país mergulhado novamente em uma polarização feroz, com dois blocos muito bem definidos e um centro ainda tentando descobrir se terá voz ou apenas servirá de escada para o segundo turno.

Publicidade

No coração dessa batalha está o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chega à disputa buscando um quarto mandato e tentando sustentar a narrativa de experiência, estabilidade institucional e proteção social. Mas, nos bastidores, aliados admitem que o cenário está muito mais apertado do que o Palácio do Planalto gostaria de admitir. A mais recente rodada de pesquisas mostra um empate técnico no segundo turno com Flávio Bolsonaro, algo que acendeu o sinal vermelho no núcleo duro do governo.

Se em janeiro Lula aparecia com margem mais confortável em alguns cenários, abril trouxe um choque de realidade: Flávio cresceu, consolidou a herança política do bolsonarismo e passou a ser tratado como o nome natural da direita nacional. O sobrenome Bolsonaro continua pesando, muito, nas urnas e no imaginário do eleitorado conservador.

A verdade nua e crua dos bastidores é que 2026 não será uma eleição comum. Será um plebiscito entre continuidade e ruptura. De um lado, Lula tenta vender a imagem do estadista experiente, ainda que adversários explorem sua idade como ponto de desgaste. Do outro, Flávio Bolsonaro aposta em um discurso de renovação dentro do próprio clã, tentando manter vivo o capital eleitoral construído pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Mas há veneno político circulando por fora desse duelo principal.

O governador Ronaldo Caiado já entrou oficialmente na corrida como candidato do PSD e tenta se vender como uma terceira via competitiva. O problema é que, até agora, sua candidatura parece mais útil para tensionar a direita no primeiro turno do que propriamente ameaçar os dois líderes.

Nos salões refrigerados do poder, a leitura é cristalina: Caiado, Zema e outros nomes do campo conservador podem acabar funcionando como linha auxiliar de Flávio, fragmentando votos no início para depois convergir no segundo turno. Essa engenharia eleitoral não é novidade, mas desta vez está sendo desenhada com mais sofisticação.

No campo lulista, a estratégia passa por blindar o Nordeste, ampliar presença em Minas Gerais e evitar qualquer erosão no Sudeste. A recondução de Geraldo Alckmin como vice é um gesto claro para o mercado, para o empresariado e para o eleitor moderado.

O que torna a disputa ainda mais explosiva é o clima no Congresso. A eleição presidencial virá casada com a renovação do Senado e da Câmara, o que significa que a guerra não será apenas pelo Planalto, mas pelo comando institucional do país nos próximos quatro anos.

Em linguagem de bastidor: não será apenas uma eleição; será uma disputa pelo controle da República.

E há um detalhe que muitos ainda subestimam: o fator emocional do eleitor. A campanha tende a ser duríssima, carregada de símbolos, memória afetiva e confronto ideológico. O antipetismo segue vivo, mas o antibolsonarismo também.

Por isso, hoje, o retrato mais fiel é este:
Lula entra como favorito no primeiro turno, mas o segundo turno promete ser uma batalha voto a voto, nervo a nervo, até a última urna.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.